Qual é a pressa?, Por José Lagiosa

Qual é a pressa?

Portugal voltou aos mercados. Rejubilaram os setores financeiro, os Bancos que participaram na colocação, o Governo e a maioria que o suporta e muitos analistas cá do burgo.

A ida aos mercados pode, no entanto, não ser um ótima notícia. Nem tudo o que parece é, afinal.

O que esta notícia nos diz é que com as reações que fomos ouvindo, ao longo da semana, o Governo ganha folga na opinião pública, alivia a pressão política a que tem estado sujeito e adia o clima insustentável que se lhe perspetivava até há bem pouco tempo.

Veio dinheiro. Virá no futuro dinheiro mais barato para as empresas. Mas para que serve o dinheiro se ninguém o utilizar, para além do próprio estado? Não mudamos a política económica, logo iremos ao mercado buscar mais endividamento, mas não financiamento.

Sem mudar as políticas económicas, repensando a brutal carga fiscal que nos vai assolar em 2013, não há mercado que nos valha.

A economia portuguesa está em agonia. Sem procura interna, com as exportações a prometer baixar drasticamente, com um país em recessão e uma dívida de 120% do PIB, será difícil pagar as dívidas mesmo com juros muito baixos.

Entretanto o Governo, ao invés de lançar um amplo debate nacional, de como reformar o Estado, com a participação o mais abrangente possível, fecha-se e aponta para uma redução violentíssima de quatro mil milhões de euros na despesa, que a fazer-se no timing que o Governo pretende não serão mais do mesmo, ou seja cortes sobre cortes no estado social, nomeadamente nas áreas da saúde, ensino e segurança social, agravando ainda mais as condições de vida de milhares e milhares de portugueses.

É caso para perguntar qual é a pressa?

* José Lagiosa, Representa o Jornal de Oleiros em Castelo Branco.

Nota do Director: Ao abrigo do acôrdo existente entre o Jornal de Oleiros e a Gazeta do Interior, publicamos o presente artigo que José Lagiosa escreve semanalmente na coluna “DESASSOSSEGO”.

José Lagiosa

Sobre Jornal de Oleiros

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1 Response to Qual é a pressa?, Por José Lagiosa

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Amigo Lagiosa, esta do sucesso dos 2.500 milhões colocados no mercado, foi bem orquestrada, alguns portugueses ficaram anestesiados, vem aí montes de dinheiro; não nos vai faltar nada, pensam muitos. Estamos a 320 dias do fim deste ano, muita gente ainda não refletiu, o que será no final de 2014, quando Portugal for ao mercado pedir 50.000 milhões?, a dívida acima referida, foi comprada pelos Ingleses, 30%, Stanley Bank USA, 30%,, apenas um banco português, subscreveu a dívida pública, porquê? não têm confiança no país que os recapitalizou?, ou que lhes deu o oval à sua recapitalização?, se os nossos bancos não colocam o dinheiro, ao serviço da economia, e não o investem no estado, deixando este à subserviência de outros, e também não o emprestam aos cidadãos, qual é o verdadeiro papel dos nossos bancos?. o dinheiro dentro dos bancos não cria riqueza, é preciso dar-lhe rotatividade económica, para não se repetir o mesmo. (Eu não falei do BPN ) .

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