O FAROL, “A ida à Lua…perdão, aos mercados”, por António Graça

O FAROL

O autor do Farol não reconhece as regras do novo acordo ortográfico

A ida à Lua… perdão, aos mercados

 

Aleluia! Deitaram foguetes e apanharam as canas. Portugal foi aos mercados colocar dívida, o que, em linguagem mais humana, significa que foi pedir mais dinheiro emprestado.

Para quem colocou este feito como desígnio quase histórico do país, trata-se, de facto, de uma vitória, mas, bem vistas as coisas, e usando linguagem futebolística, não foi mais do que empatar o jogo, no final da 1ª parte, na transformação de um penalti mal assinalado. Falta o resto do jogo e o objectivo é a vitória.

O governo colocou como seu grande objectivo as idas aos mercados, mas, se bem nos recordamos, nunca acertou na data em que o faria e acabou por ir antes do que vinha a anunciar, aproveitando uma “boleia” da Irlanda e da Espanha.

Ter como objectivo máximo o pedir dinheiro emprestado para viver, não nos parece ser a postura indicada para um governo que se preze de o ser.

Na situação actual do país o objectivo a perseguir deverá ser o do crescimento da economia, por forma a criar empresas e empregos gerar a riqueza de que o país necessita para, no mínimo, cumprir os seus compromissos financeiros.

Esta ida aos mercados para pedir emprestados 2mil e quinhentos milhões de euros, apenas vai servir para pagar juros dos empréstimos anteriores e não para aplicar na economia portuguesa, ou seja, foi-se aumentar a dívida sem a contrapartida de criar os meios para pagar os seus encargos. Tudo indica ter-se tratado principalmente de uma operação de “marketing” do governo para justificar o actual nível de austeridade, ou até o seu futuro agravamento desta, em nome de objetivos que não servem os portugueses, apenas satisfazem a agiotagem dos credores.

Daí o entendermos que esta operação não pode, em consciência, ser comemorada como se tivéssemos colocado um português na Lua.

Reacção curiosa foi a do conselheiro Borges, que afirmou não ser necessária mais austeridade.

Mais uma vez permito-me discordar da sua afirmação. A verdade é que, enquanto o país se encontrar em recessão económica, a austeridade continuará, sob a actual ou sob outra forma, a ser companheira dos portugueses, sobretudo dos que vivem dos seus salários e das suas pensões

Jaime Neves

Uma palavra final em memória do General Jaime Neves.

Militar de alto gabarito profissional, admirado pelos seus superiores e respeitado pelos seus subordinados, foi sempre uma personalidade integra, não se deixando seduzir pelos caminhos da política, vincando sempre a fronteira entre esta e a actividade militar, ao contrário de outros seus contemporâneos, Otolos e Obesos, que fizeram o contrário, acabando por não ser nem bons militares nem políticos. O futuro se encarregará de gravar o seu nome na história contemporânea de Portugal.

* António Graça, Colaborador do Jornal de Oleiros

 

António Graça

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