Turismo sustentável e o Concelho de Oleiros, por Fernando Carvalho

Turismo Sustentável e o Concelho de Oleiros

Temos vindo a debater o tema do Turismo em anteriores publicações deste jornal, nomeadamente na sua vertente “sustentável” e sua aplicação prática ao concelho de Oleiros.

Defendeu-se nestas páginas que aquela vertente assenta no conceito de desenvolvimento sustentável em que “produzir local e consumir local” é um dos princípios básicos. Vem este tema a propósito da experiência prática que hoje vivemos na gestão do Hotel Santa Margarida e das dificuldades que sentimos em aplicar aquele conceito.

Com efeito, é extremamente difícil, de acordo com as condicionantes legais aplicáveis à actividade, consumir a produção local se os produtores não estiverem preparados e organizados para esse efeito. No entanto, dado que o nosso compromisso de gestão assentava nessa ideia, é um problema que tentaremos resolver e estamos convictos que o conseguiremos.

 

Hotel

O Hotel Santa Margarida e o conceito

 

Quando nos envolvemos no processo de candidatura à exploração do hotel Santa Margarida, conscientes da sua importância para Oleiros e do conceito que sempre  defendemos, estabelecemos determinados objectivos que nos servem de guia e que nos permitimos partilhar neste espaço:

“O Hotel “Santa Margarida” terá como objectivo fundamental assumir-se como um factor de desenvolvimento local, numa perspectiva de sustentabilidade económica e social.

Assim, poderemos enumerar alguns dos principais contributos do hotel, que deverão constituir a sua “Missão”:

– Potenciar o aumento do número de visitantes do concelho;

– Fomentar a criação de emprego, num espírito de iniciativa empreendedora e geradora de riqueza, com incidência nas actividades ligadas à natureza, ao lazer e à aventura, através de parcerias com agentes locais;

– Incentivar à renovação de produtos já existentes, adaptando-os às novas tendências da procura;

– Promover a criação de produtos locais, contribuindo para processos de certificação, integrados na estratégia Oleiros/Geopark e no conceito de sustentabilidade;

– Criar ou promover a realização de eventos de índole gastronómica, cultural e musical que se assumam como motivação de visita;

– Contribuir para a qualidade da oferta gastronómica cultural (tradicional) baseado num serviço de excelência;

– Abertura à comunidade local, colocando o hotel ao serviço dos munícipes, por via da realização de workshops temáticos, de exposições ou de acções de formação, como complementaridade às estruturas já existentes;

– Desenvolver parcerias locais, com serviços de referência, que permitam uma ocupação permanente e atractiva dos visitantes;

– Promover a divulgação do hotel e do concelho no exterior.”

Passados cerca de três meses após a abertura do hotel, é com satisfação que constatamos que estes objectivos têm vindo a ser atingidos, o que reforça a nossa motivação em manter a mesma estratégia.

Poderemos, a título de exemplo, enumerar aspectos da actividade do hotel durante este período:

– Ao nível do emprego, o hotel gerou directamente trabalho para 14 pessoas, que constituem uma equipa jovem, a maioria com formação académica de nível superior ou com qualificação técnica relacionada com a actividade. Há ainda colaboradores provenientes do centro de emprego, com uma excelente experiência na actividade, muito importante para consolidar a qualidade do serviço;

– A aposta na gastronomia e nos produtos regionais está bem encaminhada e mantém-se como principal objectivo do projecto. É uma área que requer tempo para se consolidar, pelas dificuldades já referidas, mas que irá obter resultados;

– Apesar de se terem conjugado vários factores negativos (abertura no início da época baixa, pouco tempo para divulgação nos canais de distribuição, Oleiros não ser um local de passagem e a instabilidade económica que se vive) tem sido possível garantir níveis de ocupação aceitáveis, com aproximadamente 800 dormidas durante aqueles três meses;

– Em termos de marketing, têm sido realizadas várias campanhas, assim como a deslocação a Oleiros de diversos operadores turisticos e jornalistas, que têm proporcionado uma excelente notoriedade para o Hotel e para Oleiros;

– A adesão à rede “Aldeias de Xisto”, a inclusão do hotel no projecto da “Geopark/Naturtejo” e no “Turismo do Centro” são também determinantes na mesma estratégia de notoriedade;

– As diversas iniciativas de índole cultural (músical, exposições, colóquios, etc.) têm sido um sucesso assinalável;

– O restaurante “Callum” demonstrou já estar à altura das necessidades do Concelho que se refere à realização de eventos e comemorações, prestando um serviço de qualidade que dignifica Oleiros.

Estamos hoje, mais do que nunca, em condições de reafirmar o nosso compromisso de “missão” com que iniciámos o projecto e em aplicar, na prática, os conceitos de turismo sustentável que antes defendemos. O percurso é longo, é difícil, mas é possível!

Fernando Carvalho

* Fernando Carvalho, Colaborador do Jornal de Oleiros

Janeiro de 2013

Sobre Jornal de Oleiros

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8 Responses to Turismo sustentável e o Concelho de Oleiros, por Fernando Carvalho

  1. Carlos Fernandes diz:

    Nestes tempos , difíceis para todos e particularmente para a industria do turismo, é com agrado que constato que mais que falar, existe alguém que faz acontecer, ao contrário de outros que veem acontecer e de outros que teimam em falar normalmente mal do que aconteceu .
    Colaborar deste jornal Fernando Carvalho de há longa data , ofereceu-nos uma perspectiva de planeamento estratégico do seu empreendimento , bem haja .
    Hoje desenvolvimento sustentável é a palavra de ordem, todos falam todos discutem , mas o que se entende por desenvolvimento sustentável?
    A s três grandes vertentes do mesmo são a nível económico , sendo gerador de valor para a região não só com a criação de trabalho directo ou indirecto, onde a comparticipação de todos é desejável, criando uma rede, cluster de desenvolvimento mais do que em produtos ou serviços , uma marca própria , exemp: a marca Oleiros .
    A vertente ambiental de elevada importância . sugiro a certificação exemp: a carbono zero , a nível de resíduos etc.Por fim a vertente social, mais criar empregos é contribuir para a riqueza da região sendo que o mesmo só se efectiva com parcerias , artesãos agricultores ,artistas , e de extrema importância animadores e criadores de eventos, aí Oleiros tem que inovar ser criativo a matéria prima existe falta a qualificação de recursos humanos , o marketing e sincronismo entre todos .
    Afinal o que o turista quer é mais que consumir fruir, quer a vivência da região , ver o património histórico e cultural, animação e autenticidade. Como tal o sucesso e crescimento depende da qualidade do serviço e da magia que todos possamos fabricar , uma imagem ,uma experiência vale mais que mil palavras .
    Bem haja Fernando Carvalho pela sua coragem , conte connosco ,

  2. Caro Colaborador, também Amigo, Fernando Carvalho
    Li com atenção a peça que enviou e vai sair tb na edição em papel devido à actualidade, tecnicidade e aposta na região.
    Não sendo um especialista instruído em matérias de turismo, sou, no entanto um cidadão actualizado e, o que li, inspirou-me.
    A lutra que trava não é fácil. Conheço aliás esse tipo de lutas no nosso jornal.
    Cumpre-me felicitar o Amigo pela acuidade e pertinência das matérias tratadas, no fundo o futuro da região.
    Um abraço,
    Paulino Fernandes
    Director

  3. Ramiro Roque diz:

    Boa tarde
    Admiro todos aqueles que vieram investir na sua terra tal como eu o fiz a 23 Anos .Depois do que vi ontem neste jornal deixa-me de veras surpreendido como e possivel chegar aqui uma noticia a cerca do turismo no concelho enviada pelo Sr. Fernando Carvalho 10 min.Depois ja estava apagada e hoge volta essa noticia mas totalmente alterada ,sera que alguem lhe disse que nao o devia ter feito daquela maneira ou fou falta de coragem de mante-la no ar naqueles moldes?Ou sera que deveria ter passado pela senssura antes de ter sido publicada,meus Srs Deveriam penssar antes de escreverem ou sera que nos os que ja estamos ca e investimos ca somos alguns leigos nesta materia ou entao chegou o salvador da patria.
    Abraço
    Ramiro Roque

    • Fernando Carvalho diz:

      Apresento, antes de mais, as minhas desculpas ao Director do Jornal e aos leitores pela situação criada…

      Esta ocorrência merece, contudo, um breve esclarecimento:
      Enviei na 6ª feira, cerca das 20.00h, um texto para eventual publicação no JO. Infelizmente seguiu um documento que servira de base ao texto final, estando inacabado, desactualizado e com frases sem ligação entre si (como o comprova o seu final: “Nesta perspectiva, poderemos identificar as seguintes origens de negócio com interesse para o projecto: Fernando Carvalho, Novembro de 2012”). Não continha nada que não pudesse ser lido ou que comprometesse o que quer que fosse! Era simplesmente um “rascunho”…

      Logo que percebi o erro, informei o Director do Jornal e enviei o documento correcto. Infelizmente já fora colocado on line!

      Reitero as minhas desculpas pela confusão criada… E contem todos com a minha total disponibilidade, e do projecto que lidero, para um trabalho sério e empenhado em prol do nosso concelho. Tentaremos ser sempre um factor de união e não de divisão.

      Um abraço
      Fernando Carvalho

  4. Maravilha, cada vez mais o jornal é visto e seguido. Como Director não posso desejar outra coisa.
    Também, pela primeira vez vejo um comentário da Amigo Ramiro e não posso deixar de o saudar e incentivar a escrever mais. É bom.
    Cabe apenas uma nota de esclarecimento:
    Efectivamente o artigo foi ligeiramente alterado a pedido do autor.
    Coisa que consideramos normal, para mais sendo um Colaborador e Amigo da primeira hora.
    O sentido não foi alterado e reflete e bem sobre a região e o turismo do futuro.
    Não é fácil para qualquer autor, escrever, dar a cara pelas suas ideias. O Fernando fê-lo e bem.
    E não creio, não senti isso, que em qualquer momento diminuisse a importância dos seus restantes colegas na região – seguramente importantes individualmente e no conjunto – como é o caso do estupendo SLIDE em CAMBAS que tanto apreciamos.
    Creio ser importante dar ênfase aos investimentos na região, isso sim importante, pois, as sinergias são evidentes e benéficas para todos.
    Abraço,
    Director

  5. Joaquim Vitorino diz:

    A falta de corrente elétrica na Vermelha, não me permitiu, responder a Fernando Carvalho; daqui lhe envio os meus parabéns pelo seu artigo, um pouco tardio, mas seria injusto se não fizesse; tenho mais de 45 anos a trabalhar neste setor, como o Diretor deste Jornal sabe; não é facíl levar o turismo para o interior; em alguns casos vai encontrar barreiras, até por parte de algum poder autárquico que sabe, que o desenvolvimento nesta área, irá certamente fazer com que percam o seu poder local; chocando assim contra os seu interesses. Portugal tem que se fazer ao caminho, e de momento esta é, a única estrada. Embora contando com a experiência de mais velhos; esta tarefa vai ser para jovens, que gostem do seu país; e que queiram dar a cara e o esforço por ele. O país está a definhar a todos os níveis, temos que sair deste lamaçal; o futuro de Portugal, não está nas cidades, mas sim no interior do país, é aqui que se produz a riqueza que a cidade consome. A política no interior tem que mudar; mas acima de tudo, é urgente mudar as mentalidades de muitos, que por conveniência própria não vão querer; este é o paradigma português de há muitos anos; os inteligentes, vão-se deixando vencer pelos espertos. Bom Ano 2013

  6. Fernando Carvalho diz:

    Apresento, antes de mais, as minhas desculpas ao Director do Jornal e aos leitores pela situação criada…

    Esta ocorrência merece, contudo, um breve esclarecimento:
    Enviei na 6ª feira, cerca das 20.00h, um texto para eventual publicação no JO. Infelizmente seguiu um documento que servira de base ao texto final, estando inacabado, desactualizado e com frases sem ligação entre si (como o comprova o seu final: \Nesta perspectiva, poderemos identificar as seguintes origens de negócio com interesse para o projecto: Fernando Carvalho, Novembro de 2011\). Não continha nada que não pudesse ser lido ou que comprometesse o que quer que fosse! Era simplesmente um \rascunho\…

    Logo que percebi o erro, informei o Director do Jornal e enviei o documento correcto. Infelizmente já fora colocado on line!

    Reitero as minhas desculpas pela confusão criada… E contem todos com a minha total disponibilidade, e do projecto que lidero, para um trabalho sério e empenhado em prol do nosso concelho. Tentaremos ser sempre um factor de união e não de divisão.

    Um abraço
    Fernando Carvalho

  7. Caro Amigo e Colaborador
    Sem dúvida, a velocidade de actualização neste jornal é muito grande.
    Assumo alguma precipitação na colocação online, mas, nada que causa drama.
    O artigo não teve alteração de sentido e é excelente como se pode ver por vários comentários espalhados no site e em rede alternativas.
    Como diz o Joaquim Viorino, é preciso é agora força para aplicar conceitos e obter o sucesso.
    Um abraço,
    Director
    Nota: Pela importância da matéria e qualidade exibida, o artigo será justificadamente publicado na edição em papel.

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