Alinhamento Planetário, por Joaquim Vitorino

ALINHAMENTO PLANETÁRIO

Os Maias foram; sem sombra de dúvida, o povo da antiguidade, que mais conhecimentos tinham de Astronomia, e também os transmitiram para os nossos dias; nenhum outro povo da antiguidade, desenvolveu esta ciência como eles; o calendário deles coincide em muitos detalhes com o nosso; no entanto o desenvolvimento neste campo, tinha a ver com o supersticioso que este povo era; esta segunda vertente, transformou este povo sábio, devido às suas crenças, num povo sanguinário, alguns destes observatórios astronómicos, eram utilizados para sacrifícios humanos.

Nos últimos 75 anos a astronomia, teve avanços impressionantes; o Homem para além da chegada á lua, enviou naves científicas, para todo o sistema solar, algumas delas, já passaram para lá da orbita de Plutão, este que durante uns anos foi um planeta; foi recentemente despromovido, e passou à categoria de calhau. A astronomia é hoje, com todos os meios ao dispor dos astrónomos, das ciências mais avançadas, atingiu um nível de precisão quase cirúrgico; os astrónomos amadores, sem os meios ao seu dispor, que possuem os colegas profissionais, são todavia responsáveis por 90 por cento das descobertas neste campo científico; Galileu, Copérnico, Kepler, Cassini e tantos outros, eram amadores; os astrónomos, vasculham constantemente a abóbada Celeste, noites a fio na perseguição, de tudo o que meche, e que não está catalogado: hoje temos possibilidade, de estarmos em contato permanente, com os grandes centros astronómicos, como Monte Palomar, na Califórnia; La Sila no Chile, Canárias ou Manchester, e com a Nasa.

O meu primeiro telescópio tem 40 anos, que ainda conservo, ao lado de um 8000, que recentemente adquiri, são o extremo, no entanto os astrónomos da antiguidade, não dispunham sequer deste equipamento; também existem ao nosso dispor, revistas da especialidade; há 40 anos que, pela primeira vez passei a receber a revista americana Astronomy, “mensal”, um amigo meu, Diretor do Jornal News of Filadelphia, ofereceu-me a primeira subscrição por um ano; ainda guardo religiosamente estas revistas.

Vamos ao alinhamento planetário, que terá o seu cúmulo, na noite de 21 para 22 de dezembro de 2012, o solstício de Inverno; para já quero tranquilizar todos os que receiam que algo aconteça, pois nada irá acontecer; os arautos das grandes desgraças da Humanidade, terão que pensar noutra, porque desta não levam nada; os grandes planetas do sistema solar, Júpiter, Úrano e Neptuno, encontram-se a uma distância não inferior a 700 milhões de quilómetros de nós, embora no caso de Júpiter, a sua massa seja 300 vezes superior, não vai interagir em nada com a terra. Este alinhamento, não provocará, qualquer atividade solar, esta só terá lugar, em maio de 2013, cumprindo assim o ciclo dos 11 anos.

Em 1962, 1982 e mais recentemente no ano 2000, houve alinhamento solar, com o centro da Galáxia a que este pertence, a que chamamos Via Láctea, Milky Way; só esta Galáxia, tem 300 biliões de estrelas, algumas delas, possuem 300 vezes, a massa do nosso Sol; a exemplo Antares, ou Betelgeuse uma gigante vermelha, na constelação de Orion, também com 300 vezes o tamanho do sol; qualquer delas, são vistas a olho nu.

A Betelgeuse, tem um comportamento variável, ora é a número 10 ou 12, na escala de luminosidade, no entanto se vier a explodir, num futuro próximo ou longínquo, não nos afetará; mas as noites serão diferentes, não terá a luminosidade de uma supernova, mas a sua visão, poderá aumentar 1000 vezes. O nosso Sol, nunca irá explodir, e transformar-se numa supernova, não tem massa suficiente, para entrar em colapso, quando começar a perder energia, isto vai a acontecer daqui a 4000 milhões de anos, então começará o processo lento, de mais 1000 milhões de anos, em que começará a sua transformação, numa anã vermelha, o Sol que se encontra a uma distância da terra, de 155 milhões de quilómetros, e que tem 1.4 milhões de diâmetro, irá engolir os planetas do sistema interiores, que é o caso, de Mercúrio e Vénus, e também a terra e provavelmente Marte; então já, uma anã vermelha; ainda será vista por mais 1500 milhões de anos, depois deixa de emitir qualquer luz; será uma estrela cadáver, como milhões de outras. Só por curiosidade, a expansão do Universo, deixa-nos uma esperança nula, de alguma vez uma civilização, com origem na nossa Galáxia, a Via Láctea, se cruzar com uma outra, de uma outra Galáxia, porque não é imaginável, que o homem alguma vez consiga viajar, à velocidade que elas se afastam de nós. Voltando ao alinhamento, há algum tempo que os planetas, começaram a perfilar, tenho estado com o olho neles, o máximo da sua convergência será na noite de 21 para 22 de dezembro, o solstício de Inverno.

A astronomia, é uma ciência milenar; mesmo na vertente de amadorismo, não é menos válida; porque as grandes descobertas, a estes se devem; passar noites a fio a seguir um corpo celeste, com temperaturas muitas vezes negativas, não é fácil, mas merece a pena; ao contrário dos que, têm todas as condições, nos grandes centros de observação.

Em Portugal existem as melhores, condições climatéricas na Europa, para a observação astronómica; com quase 300 dias de Sol por ano; garanto a quem inicie, a prática desta ciência, que nunca mais será, o mesmo que era antes; toda a arrogância de um ser humano; desaparece, na frente de uma lente, de um poderoso telescópio.

* Joaquim Vitorino – Vermelha – Oeste

   Correspondente do Jornal de Oleiros

** Exclusivo, para o Jornal de Oleiros e comunidades

 

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