Álvaro tem vida…por Ana Silva (*)

Álvaro tem vida…

A antiga vila de Álvaro, que foi sede de concelho por mais de três séculos é uma das localidades mais antigas da zona do pinhal, que bordeja o rio Zêzere.

A população de Álvaro está maioritariamente envelhecida, com grandes carências socioeconómicas é uma população vestida de isolamento, também devido á sua localização geográfica.

Os antigos habitantes desta freguesia viram-se obrigados a deixar a sua aldeia em busca de melhores condições de vida e os idosos cá foram ficando, com necessidades de assistência cada vez maiores. O isolamento da população residente na freguesia é um problema, pois muitos dos idosos vivem distanciados da aldeia de Álvaro, ficando dispersos ao longo da freguesia, sendo que os acessos ás suas casas também não são os melhores.

A Santa Casa da Misericórdia de Álvaro tem diagnosticado várias situações de necessidade, e dentro das suas capacidades tem respondido ás mesmas, funcionando apenas com a valência de Serviço de Apoio Domiciliário tem demonstrado resultados práticos muito positivos, aliciantes e que nos dão coragem e motivação para continuar a intervir nesta área.

É de salientar que dos 41 utentes que actualmente usufruem dos serviços da Instituição 40% tem mais de 80 anos e 29% possuem deficiências físicas ou mentais que os tornam bastante dependentes.

Apologistas de que a chamada 3º idade não deve ser encarada como um fim mas sim como o começo de uma nova etapa, em que os idosos não se devem acomodar ás suas limitações próprias da idade e de complicações de saúde, mas sim tentarem contornar as suas dificuldades e tentarem viver um dia de cada vez com luta, coragem e objectivos, pois o idoso “conserva as suas faculdades se mantiver vivos os seus interesses” (Cícero) e também com o intuito de proporcionar momentos de lazer e entretenimento aos idosos, foi criado o Grupo de Cantares dos Utentes da Santa Casa da Misericórdia de Álvaro “Meninos da Aldeia”, no qual os idosos cantam musicas tradicionais e lêem quadras, passando momentos agradáveis e sentindo-se úteis e activos. A 1º actuação do grupo aconteceu no dia 10 de Novembro, no magusto da Instituição.

Actividades dos utentes

 
 

 

Sapateiro

 

“O sapateiro”

António Conceição Martins tem 79 anos e reside na Gaspalha. Começou na arte de fazer sapatos aos 16 anos e ainda hoje exerce esse ofício. Trabalha pele, couro, sola e cabedal fazendo sapatos á mão, trabalho que se vê cada vez menos na sociedade industrializada. Este utente faz sapatos para uso pessoal e também para venda. Trabalha numa divisão da sua casa que funciona como oficina.

 
 

 

Costureira

 

 

“A costureira”

Maria Benedita Nunes tem 79 anos e reside em Vale- Álvaro. Aprendeu costura aos 7 anos de idade, pois foi-lhe oferecido tecido para confeccionar uma blusa e ir á costureira ficava muito caro, então desmanchou uma blusa velha e fez a nova a partir da antiga. Desde então nunca mais parou e faz desde simples arranjos de costura até bordados, bainhas abertas e rendas, sem esquecer os lindos trabalhos manuais que faz para a Instituição. Tem uma sala específica para a costura.

  

Senhor dos Cortiços

 

“O senhor dos cortiços”

João Antunes Mendes tem 89 anos e reside na Gaspalha. Começou a trabalhar a cortiça aos doze anos de idade, tendo aprendido esta arte sozinho. Faz bancos de cortiça, colmeias e outros objectos. Tem uma divisão da sua casa que funciona como oficina e armazém.

 

Estes três utentes não se deixam vencer pela idade e vão-se mantendo activos, sentindo-se realizados e entretidos. São um exemplo de como na 3º idade ainda se trabalha, ainda se luta e principalmente…ainda se sonha!

O intervalo de tempo entre a juventude e a velhice é mais breve do que se imagina. Quem não tem o prazer de penetrar no mundo dos idosos não é digno da sua juventude.”

Augusto Cury

 
 

 

Ana Silva, Jornal de Oleiros

* Ana Silva, Correspondente do Jornal de Oleiros em Álvaro

 

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