” O Bosão de Higgs (I)” e os Mágicos do Cosmos, por Joaquim Vitorino

Os apaixonados pela física das partículas, eu também o sou, receberam com alguma euforia a anunciada conferência de imprensa do CERN, para dar a conhecer, com pompa e circunstância os novos avanços da tão falada partícula.

Muitos foram os que se deslocaram até Genebra para ouvir com algum suspense, aquilo que provavelmente iria chocar muita gente. O próprio Dr.Higgs estava presente, 46 anos depois de ter dado a (dica).

Os dois belgas que o acompanharam na investigação, foram praticamente esquecidos.Temia-se que a descoberta fosse criar algum atrito entre as comunidades religiosas e científica,  alterando a boa relação e tolerância recíproca de há muitos anos.

De volta ao tema, que lançou na corrida cientistas de todo o mundo, chineses, russos, americanos e brasileiros, o CERN tinha que convocar a conferência de imprensa por dois  motivos: justificar os biliões gastos aos contribuintes europeus; e um dia destes poderiam, investigadores de fora do CERN, perguntar – é isto que procuram? 27 quilómetros de túnel a 175  metros  abaixo do solo é um a obra notável, mas, com uma utilidade de 20 anos, não é propriamente um investimento de que nos possamos orgulhar, dado que, a Europa está mergulhada numa crise com 100  milhões de pobres, dos quais 15 milhões estão em pobreza extrema.  

Trabalham no CERN 35 mil pessoas, o acelerador de partículas está localizado na fronteira franco-suíça, em Genebra uma das cidades mais caras do mundo. Bom para os suíços, nem tanto assim para os europeus, Portugal também está no projeto.  Voltando á conferencia, com as universidades inglesas em grande peso no CERN, o Dr.Higgs iria ter o reconhecimento em vida pelo seu “palpite”, pois é disso que se trata, de há 46 anos. O Galileu do século 21 pensaram muitos. Mas aquilo que se pensava ser um ponto alto na investigação das partículas, está muito longe disso. O bosão de Higgs não é simultaneamente o ovo e a galinha, e quando não se tem grandes notícias para dar, dão-se conferencias de imprensa.

Entre 94 e 96 por cento da matéria do cosmos, é desconhecida da ciência e,  denominar a partícula de Higgs como Divina, é uma metáfora de mau gosto; porque o que é Divino, não se mede em partículas; é provavelmente onde se concentra essa matéria, que surgirão novas estrelas e planetas ,que vão dar lugar a outras civilizações, onde numa delas, vão surgir os mágicos do cosmos.

Nós, homo sapiens, que também nos apelidamos de humanos, temos feito progressos notáveis, desde o início da primeira revolução industrial há 300 anos, que na escala de tempo no universo, é um milésimo de segundo; temos, numa corrida vertiginosa, feito maravilhas tecnológicas; mas existe um condicionalismo adverso.

Efetivamente, o homem colocou diante de si  um obstáculo que se vai revelar de dificuldade inimaginável de ultrapassar: descuidou o seu habitat, e precisará de mais 3000 anos para poder sobreviver por longos períodos fora do nosso planeta, e posteriormente o ter que abandonar.

Com o crescimento demográfico ao ritmo dos últimos anos, em 2050 seremos 18000 milhões, países como a China a Índia e o Brasil, terão duplicado a sua população; a escassez da água e consequentemente alimentar, com os oceanos em declínio, serão os grandes desafios que temos pela frente.

É urgente que os contribuintes europeus vejam os seus impostos canalizados para verdadeiras prioridades, que são a sobrevivência do planeta, utilizando recursos, para numa corrida contra o tempo salvarmos o planeta terra, que será a nossa rampa de lançamento daqui a 3000 anos, para o caminho das estrelas, com a (magia tecnológica) que então teremos ao nosso dispor.

A possibilidade de uma outra civilização periférica, num espaço até ao centro da nossa galáxia (30.000 anos luz, ter evoluído em tecnologia simultaneamente com a nossa é de uma em 10.000 milhões).

É imperioso cuidar do nosso habitat, para que daqui a 3.000 anos possamos lançar no longo caminho os nossos mágicos; se nada for feito nesse sentido, provavelmente nenhuma outra civilização terá conhecimento da nossa existência e,  nós ficamos por aqui; sem o objetivo cumprido, e a curtíssima passagem dos humanos neste insignificante planeta, constituirá o maior drama cósmico de todos os tempos.

Daqui a 1000 anos, numa fuga dramática, teremos capacidade de colocar em órbita 20.000 humanos, que serão rigorosamente selecionados, em estações espaciais, por um longo período; mas não nos garante a sobrevivência da espécie, e para trás, ficam á sua sorte 20.000 milhões.

J. Vitorino         

Astrónomo amador

* Colaborador do Jornal de Oleiros (Oeste de Portugal)

Joaquim Vitorino

 

 

 

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