
Joffre Justino
Estive este fim de semana bem ocupado com a preparação de uma acção de formação sobre o Branqueamento de Capitais e com um desastre nas instalações da EPAR como resultado da chuva!
Resultado da Crise, a forte redução de receitas vindas do alunos hoje tantos com pais desempregados, leva a que as dificuldades de manutenção de um edifício bem antigo, parcelarmente anterior ao terramoto de 1755, sejam imensas…
Mas tal não me impediu de fazer três breves notas sobre a Vitória Socialista em França e a Derrota da Comissão Europeia, do BCE, e das troikas, na Grécia, em lógica de 3 cenários, que abaixo reproduzo, por reputar de essenciais para uma reflexão que tão bem Mário Soares deseja que aconteça entre a Família Socialista clássica, a Esquerda Radical e os Ecologistas europeus!
Parabenizado Hollande e faltando o que se chama em França de 3ª volta, as legislativas, para sabermos que caminhos tomará a Europa do Poder, resta analisar o que chamo a Catástrofe imposta na Grécia pela Comissão Europeia, pelo BCE, e pela troika!
Recordemos que as três entidades acima tudo o que fizeram ultimamente na Grécia, (já de si faltosa e historicamente conflituosa), foi destruir o PASOK, (basta recordar a violenta pressão das mesmas para que não acontecesse a proposta de referendo apresentada pelo leader socialista grego), e o apoio à desastrada Nova Democracia e finalmente o como intervieram, inaceitavelmente, em cima das eleições francesas e gregas para que acontecessem vitórias de Direita!
Resultado?
A derrota clamorosa da Direita grega, a Nova Democracia, que só teve 19,71%, um descalabro eleitoral à Direita, ( mais 10,47% para os Gregos Independentes e 6,88% para a extrema direita, e que só fazem 37,06%!).
E, ouvimo-lo hoje, de novo, a recusa do leader direitista – em menos de 24h – em criar governo, como já acontecera antes, ao recusar coligações com o PASOK, sectário que se tem mostrado ser, ( e recordemos que a coligação ND/PASOK permitiria ter 33,26%, dos votos e a quase maioria absoluta, ou 43,73%, se os Gregos Independentes aderissem a este governo dito quase Centrista).
Mas o sectarismo impede este direitista cavalheiro de pensar que há que ter imaginação quando os cenários pós eleitorais o obrigam, em nome da Democracia de do País!
Assim, pela enésima vez o amigo grego da Comissão Europeia, do BCE e da troika, mostrou a sua incapacidade para a liderança apostando suicidariamente no descalabro, o seu e o da Grécia!
O PASOK, que tem uma razoável ala esquerda interna, releve-se, hoje não tem mais que um frágil terceiro lugar, pois o seu eleitorado de esquerda amarrou-se à ala esquerda radical na linha do islandês Nao Pagamos, e terá de se repensar perante a impotência da direitista Nova Democracia!
O grande vencedor, o BE grego, o SYRIZA, mais a sua cisão centrista, a Esquerda Democrática, somam, note-se, 22,34% e com os comunistas, 30,75%!
Mas se com os liberais Gregos Independentes, esta Esquerda atingirá os 32,81% !
E não me importo de apostar que se a crise se mantiver, com novas eleições em 30 dias, os Não Pagamos, a Esquerda Radical e a extrema direita subirão ainda mais !
Penalizando seriamente a Comissão Europeia, o BCE e as troikas que por aí pululam em nome de fantasmas a que chamam de “mercados”!
E Nova Democracia e PASOK cairão por aí abaixo, o que em nome da estabilidade será bastante lamentável!
Porque a instabilidade só gera mais radicalização de posições !
(Abençoado Soares que teve a genialidade suficiente para nos tirar destes embaraços em 1974/76!)
Que significa tal ?
Antes do mais que seria de todo útil que os burocratas de Bruxelas se calassem por um tempinho, um largo tempinho diga-se, a ver se a terceira volta francesa permite abrir novas janelas de oportunidade, para a Grécia e para a Europa, pois as suas politicas não só têm falhado como e tal é que é grave estão a corroer a coesão europeia de forma demasiado grave!
Pois haverá ainda uma ténue solução democrática em duas vias – um governo liderado pelo SYRIZA com a adesão da totalidade ou de parte do PASOK, ou um mais instável governo do PASOK com a Esquerda Radical ou parte dela e os Gregos Independentes e parte da Nova Democracia, que permitam a estabilização do Regime e a busca negociada de soluções que a governação socialista francesa, se tal acontecer, permita numa nova União Europeia menos sectariamente financista!
Mas diria que, face à falta de senso de Bruxelas, que é o que temos visto acontecer, aposto mais em novas eleições, para que pouco mude e gerando a política do Não Pagamos!
Isto é, adeus banca alemã!
E, claro, adeus euro, adeus UE, viva a dramática nova Crise Global, agora empurrada por uma União Europeia em fim de festa!
Eis o resultado da via da alta finança global, que tudo apostou com os seus capatazes, os neo liberais e as agências de notação, na destruição do euro e da UE!
Enfim, nada de bom parece vir dos ares gregos para a UE e os seus países, a nao ser que a terceira volta francesa mude os ares europeus para os países da UE, Grécia incluída!
A ver vamos!
Mas estes recentes cenários portugueses de sectarismos importados, mostram bem que vivemos bem críticos momentos!
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