A crise da Coreia do Norte, por Mendo de Castro Henriques

A crise da Coreia do Norte

A crise da Coreia do Norte é imprevisível e constitui a ameaça mais séria de guerra nuclear no mundo, desde a crise dos mísseis cubanos em 1961. Mas enquanto Fidel Castro era racional e não queria um conflito em grande escala após o fim da guerra civil, sobre Kim Jong-Un sabe-se pouco: gostaria de conquistar a Coreia do Sul, se necessário com armas de destruição maciça.

Não sabemos se Kim Jong-Un é um lunático delirante, se tem resquícios de racionalidade. Sem dúvida que acumula poder militar para ganhar influência geopolítica acima do peso demográfico e económico da Coreia do Norte. A população faminta pouco lhe interessa.

A sua doutrina Juche, ultranacionalista e coletivista não o deixa raciocinar como um ocidental.

Não vi ainda ninguém indicar em que circunstâncias Kim Jong-Un recorrerá ao armamento nuclear, nem contra quem. Sabemos que segue uma política extremamente agressiva; a sua diferença face a um Hitler e Napoleão, que quase lograram a total dominação da Europa, é que dirige um estado relativamente pequeno e entalado.

A China patrocina Kim Jong-Un.

A Rússia tem sido amiga desde 1990.

Os EUA, que protegem a Coreia do Sul, são o principal inimigo.

O objetivo da construção de armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais é assustar os EUA, e demos graças a Deus se for só isso.

As opções do mundo livre são escassas. Segundo os especialistas, é muito difícil, senão impossível, neutralizar a Coreia do Norte, antes de o Norte lançar um ataque devastador na região metropolitana de Seoul, que tem 25 milhões de habitantes, metade do país.

Nenhuma guerra resolve seja o que for, mas pode substituir um problema insolúvel por outro com solução. A ameaça nuclear da Coreia do Norte parece-me justificar uma ação militar de autodefesa.

Não pode é ser ação unilateral. Atacar um estado cliente degGrandes potências como a China e a Rússia, sem permissão destas, desencadearia uma conflagração geral.

Um grave óbice à solução de autodefesa é que o responsável pela decisão principal é Donald Trump, talvez o mais estúpido de todos os presidentes norte-americanos até à data. Estúpido significa: com dificuldades em perceber o que se passa.

A China não quer um Kim Jong-Un com armas nucleares à sua beira a iniciar guerras; mas quer manter o governo da Coreia do Norte, e o país separado.

O mesmo tipo de garantias poderia funcionar com a Rússia. Um ultimato a Pyong Yang, apoiado por um bloqueio total ou ação militar conjunta, poderia funcionar.

A única opção viável para reduzir a ameaça, é um acordo entre os EUA, China, Rússia e a Coreia do Sul, apoiado ou iniciado pela ONU, a fim de pressionar a Coreia do Norte a desmantelar o seu arsenal nuclear. Há interesses comuns em jogo.

O ideal seria revitalizar a ONU de António Guterres para lançar esta coligação do mundo livre, mas a ONU está muito desacreditada.

Apelemos por uma solução em que surja uma organização mediadora entre Coreia do Norte e EUA e capaz de enfrentar esta grave crise que assombra as nossas vidas.

Mendo de Castro Henriques

Mendo de Castro Henriques

  • Mendo de Castro Henriques, Colunista Especializado

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Comunidades, Destaques, Oleiros com as tags . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *