A primeira viagem de Trump, por Mendo Castro Henriques

A primeira viagem de Trump

(Exclusivo)

  • Mendo Castro Henriques

Após inventar as notícias falsas, Trump criou o discurso falso e hipócrita na cimeira de Ryad com 50 nações muçulmanas.

Em terra sunita, culpou o Irão xiita por alimentar a violência e o terrorismo islâmico. Em vez de unir o mundo islâmico contra o ISIS, pregou a guerra entre sunitas e xiitas.

Tudo isto sucede após ter assinado com os sauditas um contrato de venda de 100 mil milhões de euros de armas e de saudar obscenamente a proposta de compra pelo Qatar de um monte de belos equipamentos militares.

Que irá Trump dizer em Roma ao Papa Francisco que no Cairo a 6 de maio juntou a sua voz aos muçulmanos da mesquita de Al Azhar contra os traficantes de armas?

Aos sauditas e aos líderes de 50 nações muçulmanas, Trump falou de um realismo de princípios, enraizado em valores comuns e interesses partilhados.

Mas que valores os norte-americanos partilham com os ditadores sauditas – que recusam a democracia, os direitos humanos e a promoção da mulher – exceto as vendas de armas e o petróleo? Falou de reformas graduais, o que significa que nada fará para impedir crimes contra a humanidade – a menos que sejam cometidos pelos xiitas.

Em resumo, o empresário armado em profeta foi à Arábia Saudita vender armas para que sunitas e xiitas se matem entre si, e com um discurso de empresário meio doido, meio visionário que envergonha o Ocidente.

Falou de paz, mas o que lhe interessa é que os árabes prossigam as guerras. Os aduladores sauditas aplaudiram-no. Eles sabem que o discurso falso do louco americano sobre as guerras em cadeia permite-lhes a perpetuação no poder.

Nos EUA, a apreciação desta viagem entre detratores e seguidores está a fazer cair mitos.

Para os detratores, que o consideram uma ameaça permanente ao Estado de direito, o homem que falhou na tentativa legal de proibir a entrada nos Estados Unidos de muçulmanos de sete nações é comparado a um ditador de uma república de bananas que poderá ser deposto no regresso do estrangeiro. Só passaram quatro meses após a tomada de posse e os media estão repletos de rumores sobre o impeachment de Trump.

Para os seguidores, Trump está a colocar a América num andor. Estão fascinados com o acolhimento saudita e a viagem é uma oportunidade de mostrar que ele parece mesmo um líder. Vêem-no como um enviado milionário que vem drenar o pântano pecaminoso de Washington e tornar a América grande.

Ambos os pontos de vista ficarão dececionados com esta primeira viagem do presidente. A realidade é que o Presidente Trump não tem muito jeito para a política convencional e pouco conseguiu até agora: a reforma da saúde continua bloqueada no Congresso; as restrições de migração de muçulmanos ainda estão nos tribunais; o muro foi rebaixado ao nível de símbolo.

E na política externa, a viagem reafirma as alianças tradicionais dos EUA com a Arábia Saudita e Israel sem o horizonte ideal unificador dos direitos humanos.

A presidência de Trump está a tornar o mundo mais perigoso.

As políticas de protecionismo e de isolamento dos EUA do mundo não servem o interesse nem dos EUA nem do mundo

  • Mendo Castro Henriques, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros
Mendo Castro Henriques

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