” O Farol”, O Algodão não engana

O Farol

O Algodão não engana

António L. Graça

Há alguns anos, passava nos canais televisivos um “spot” publicitário, alusivo a um produto de limpeza e higiene.

O tal anúncio começava por apresentar uma parede revestida a azulejos impecavelmente brancos e reluzentes, só que, em seguida, um sujeito com ar desconfiado, passava um pedaço de algodão sobre a referida parede, algodão que, após a passagem, ficava completamente impregnado de sujidade.

Utilizando esta imagem publicitária como guia convido os leitores a fazerem comigo o teste do algodão à chamada saída limpa de Coelho & Portas.

Vejamos então que sujidade agarra o nosso algodão;

1- A forma de saída de Portugal do Programa de Assistência, não foi uma escolha do governo, foi antes uma imposição de alguns países da União Europeia, nomeadamente, a Finlândia, a Holanda, a Alemanha, a Áustria, ou seja, citando um conhecido colunista nacional, “os povos bárbaros do Norte e Centro da Europa” que recusaram liminarmente a criação do tão falado, mas ignorado na sua forma, Programa de Assistência Cautelar, destinado a apoiar Portugal em qualquer situação difícil, que pudesses ocorrer após o final do Programa de Assistência.

2- O final do Programa não significa a libertação do país da excessiva carga de austeridade que lhe foi imposta pela “troika” e sobrevalorizada pelo governo de Passos/Portas.

A “troika” continuará atenta e vigilante durante, pelo menos, mais duas décadas, sendo perfeitamente idiota a proclamação do novo dia da independência nacional.

De acordo com evoluções recentes deste assunto somos mesmo levados a considerar que ainda não houve saída nenhuma, uma vez que a última avaliação ainda não foi fechada.

Mas, mesmo que tivesse havido, ela nunca seria limpa.

De facto, uma saída de um programa que deixa a economia do país em mau estado, com umas centenas de milhares de desempregados, muitos dos quais em desemprego de longa duração, que provocou uma onda de emigração, sobretudo de jovens qualificados, que muita falta farão ao futuro do país que neles investiu, que deixou quase 20% da população à beira da pobreza, que destruiu, por esse motivo, a classe média que é um motor da economia, que criou um inferno fiscal para os portugueses, que trabalham 6 meses para pagar impostos a um estado que devora 25% da riqueza produzida no país, e que, quanto mais impostos cobra mais dinheiro gasta, e mais uma série de atitudes sujas que me dispenso, por agora, de enumerar.

Enfim, chamar a isto uma saída limpa, só de um governo que se comporta como uma dona de casa desmazelada, que varre o lixo para debaixo do tapete.

E…A ECONOMIA?

A economia não tem evoluído da forma desejável.

De facto, aquele chavão de que a economia cresceria exclusivamente com base nas exportações, e que estas, segundo o vice-primeiro ministro, que percebe tanto de economia como eu de chinês, seriam o porta-aviões do crescimento económico, caiu por terra, conforme previram muitos analistas nacionais e estrangeiros.

De uma vez por todas, se o consumo interno não crescer a economia também não crescerá.

É verdade que o crescimento do consumo interno tem como efeito o crescimento das importações, afectando negativamente a chamada balança de pagamentos, sendo por isso necessário estudar formas de atenuar esse desequilíbrio sem penalizar o crescimento da economia e isso é uma tarefa que compete ao governo, que deverá, contrariamente ao que sucede actualmente, ser suficientemente competente para o fazer.

* António L. Graça, Colunista do Jornal de Oleiros é Sub-Director do Jornal de Vila de Rei onde assina a Coluna de Opinião “Visto do Centro”.

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