Fecho de escolas motiva encerramento de juntas de freguesia da Covilhã

AUTARCAS “BARRICADOS”

Juntas de freguesia do concelho da Covilhã estiveram hoje encerradas e os presidentes “barricados” no interior das instalações em protesto contra o fecho de escolas, afirmou hoje o porta-voz das juntas, Pedro Leitão.

Pedro Leitão

Em declarações à agência Lusa, Pedro Leitão, presidente da União de Freguesias de Cantar Galo e Vila do Carvalho, explicou que o protesto foi organizado “pelas 10 localidades que têm escolas com menos de 21 alunos”, mas que “todos os eleitos das restantes juntas estão solidários e aderiram imediatamente”.

Temos estado a confirmar com todos os presidentes e, efetivamente, as juntas não estão a prestar serviços. A única exceção prende-se com as juntas que têm lá a funcionar as extensões de saúde e que dão uma resposta a problemas inadiáveis, tendo, por esse motivo, aberto a porta, sem, contudo, estarem a prestar outros serviços”, afiançou o porta-voz dos autarcas, minutos antes de uma conferência de imprensa na qual estiveram presentes 11 eleitos.

Pedro Leitão acrescentou que esta tomada de posição, que é assinalada nos edifícios com a colocação de uma faixa negra na qual se pode ler “fechado no interior”, foi marcada para hoje para coincidir com a visita do ministro da Educação, Nuno Crato, à cidade.

Pedro Leitão não quis adiantar pormenores, mas assumiu a “forte probabilidade” de que os autarcas e população também estejam “de forma democrática junto da UBI”.

Covilhã

Temos de lhes dizer que chega. Basta. O interior, a população do interior e os eleitos do interior não vão continuar a permitir este flagelo. Estamos preparados para a luta e se o Governo quer avançar com os encerramentos, então nós começamos já, mas para lhes mostrar que não ficaremos de braços cruzados. É por isso que hoje nos barricamos dentro de cada junta”, apontou.

Pedro Leitão, que foi eleito pelo PS mas garantiu estar a falar também em nome dos presidentes de junta eleitos por diferentes forças partidárias e movimentos, assumiu que no concelho “ há o receio generalizado” de que os encerramentos abranjam outras áreas, além da educação.

Hoje são as escolas, amanhã serão as extensões e centros de saúde e depois os postos de correio e tudo o que ainda estiver a funcionar o que dizimará por completo as populações do interior”, apontou, pedindo ainda a imediata “demissão do ministro e do Governo.

Na Covilhã, há dez estabelecimentos de ensino, jardins de infância e escolas de primeiro ciclo, em risco de encerrar, designadamente nas localidades de Barco, Cortes do Meio, Coutada, Erada, Orjais, Ourondo, Paul, S. Jorge da Beira, Vila do Carvalho e Verdelhos.

Vítor Pereira

O presidente da autarquia também já tomou posição pública contra o eventual fecho das escolas e prometeu que hoje irá tentar sensibilizar o ministro Nuno Crato para a questão.

…e Crato promete ter em conta situações locais no fecho de escolas

O ministro da Educação assumiu hoje na Covilhã que, no fecho de escolas, “as coisas não podem ser feitas exatamente como no papel” e prometeu que o processo será conduzido em diálogo, tendo em conta a situação de cada local.

Claro que nós percebemos que, em alguns casos, as coisas não podem ser feitas exatamente como no papel e no lápis parecem melhor. Temos de ter em conta as situações locais e é isso que estamos a fazer“, garantiu o ministro, em declarações aos jornalistas.

Nuno Crato falava na Covilhã, onde foi recebido por várias dezenas de manifestantes que, entre palavras de ordem e muitos assobios, protestaram contra o encerramento de escolas no concelho.

Nuno Crato

A educação é um direito, sem ela nada feito” era uma das frases ouvida no megafone do protesto.

No local, além de sindicalistas, estiveram também pais vindos da localidade de Vales do Rio e os presidentes de junta que, pela manhã, se tinham “barricado” nas juntas de freguesia como forma de protesto.

O ministro, que chegou acompanhado pelo ministro-adjunto do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, não evitou o local e, apesar dos apupos dos manifestantes, aceitou dois envelopes com documentos que explicavam os argumentos do protesto, um dos quais entregue pelos presidentes de junta com quem acedeu falar.

Poares Maduro

Agora mesmo vou falar com os senhores presidentes das juntas de freguesia que me vão transmitir algumas preocupações“, disse o ministro Nuno Crato aos jornalistas.

O governante assumiu o compromisso de que o processo será encaminhado em “diálogo com as câmaras, com as juntas de freguesia, com os professores, com os agrupamentos de escola“, mas ressalvou que a política do Ministério da Educação e deste Governo é a de que “o interesse dos alunos será posto em primeiro lugar“.

Nuno Crato defendeu ainda que “alunos que estão numa escola pequena, muito pequena, não têm as mesmas condições que outros, que estão em centros escolares, onde existem recintos desportivos, professores de música, atividades complementares e turmas por ano de escolaridade“.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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