INQUIETUDE – Irresponsabilidade

Inquietude

Irresponsabilidade

António José Seguro

António Costa teve duas oportunidades para se candidatar à liderança do Partido Socialista, uma em 2011, após a derrota de Sócrates nas legislativas e o ano passado, quando depois de ameaçar avançar, recuou amedrontado com uma provável derrota.

O que leva então Costa, após duas vitórias eleitorais do Partido Socialista, autárquicas em setembro de 2013 e europeia a 25 de maio, a anunciar a sua disponibilidade para ser Secretário-geral, numa autêntica tentativa de “golpe de estado” só comparável a uma hipotética situação em que o Presidente da República de Portugal pudesse ser convidado a demitir-se, a pedido, pois algum dos seus concidadãos o solicitava por se considerar em melhor situação para o ser. Nem os estatutos do PS o admite no caso do Secretário-geral, nem a Constituição que tantos dizem defender o prevê, no caso do Presidente.

António Costa

Porquê então este anúncio de António Costa, a provocar este triste espetáculo, e aqui há culpa de parte a parte, que os socialistas apoiantes de Seguro e Costa têm dado? Porquê agora quando antes não o fez naturalmente?

Porque se considera mais bem colocado para conseguir um melhor resultado, dizem os apoiantes do edil lisboeta. Mas quem nos garante isso. Partamos do princípio que até seria verdade: mas o timing é o correto? Após duas vitórias eleitorais? Quando António José Seguro considera que tem todas as condições para ganhar as eleições legislativas e chegar mesmo à maioria absoluta?

Claro que se é verdade que não sabemos se Costa lá chegaria, também, em boa verdade, não podemos garantir que isso aconteça com Seguro. Mas “bolas” o homem está no pleno exercício que só termina, como sempre tem sido prática no PS, após o veredito dos eleitores em eleições legislativas.

Entretanto com a evolução da situação, António José Seguro, não avançou para a demissão e contrapõe a abertura do partido aos cidadãos, para além de outras medidas menos mediatizadas, propondo primárias para escolha do candidato do PS a primeiro-ministro. Apanhou todo o universo do PS de surpresa, mas também o país. Seguro corre o risco, ao propô-lo, de ver escolhido outro que não ele mas demonstra uma enorme coragem política, pois se tiver um desaire nesta disputa, perde todas as condições para se manter Secretário-geral e terá mesmo de haver um Congresso extraordinário.

Entretanto as manobras de bastidores aí estão, fragilizando o partido, retirando-lhe muita da autoridade na ação política indispensável neste momento e deixando a coligação governamental de direita neoliberal, sem controlo, num devaneio de quem parece ter vencido aquilo que foi uma estrondosa e histórica derrota. E isso é, naturalmente, da responsabilidade de António Costa!

* Inquietude, Coluna semanal do Director-Adjunto José Lagiosa, em todas as 5ªs feiras.

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