Câmara do Fundão está “frontalmente contra” o fecho de escolas no concelho

AFIRMAÇÃO DO PRESIDENTE PAULO FERNANDES

A Câmara Municipal do Fundão está “frontalmente contra” o encerramento de escolas do primeiro ciclo no concelho e já deu conhecimento dessa posição à tutela, disse o presidente da autarquia, Paulo Fernandes (PSD).

Estamos frontalmente contra, principalmente com aquele número [de 21 alunos], que consideramos completamente desproporcionado e completamente desadequado àquilo que é a realidade dos meios rurais“, afirmou.

Paulo Fernandes

Paulo Fernandes referiu que a posição foi aprovada “por unanimidade” pelo Conselho Municipal de Educação e que já foi manifestada “de forma clara” em duas reuniões com a Delegação Regional de Educação do Centro (DREC), entidade à qual também será enviado um documento detalhado sobre cada uma das escolas e respetivas implicações do encerramento.

O autarca ressalvou que não está em causa “a natural vontade” de se manterem abertos os equipamentos escolares, mas sim “o direito à qualidade de ensino e o superior interesse das crianças“.

Onde estiverem em causa os dois fatores, nós optaremos pelo do direito dos alunos. Essa é a nossa posição de princípio, mas eu diria que alguém ainda terá de provar e demonstrar que uma escola, pelo facto de ter 10, 11, 15, 16, 19 alunos, tem menos qualidade de ensino ou menos capacidade de poder formar e ensinar as crianças em relação a uma escola que tenha, 22, 23, 24 alunos“, sublinhou.

Pelo contrário, Paulo Fernandes considera que “o desenraizamento das crianças” tem um “preço bem grave e bem pesado a pagar do ponto de vista da igualdade de oportunidades entre crianças“.

Não é a mesma coisa uma criança ter de se levantar cedo para ir para uma escola e ter de fazer um trajeto diário de quilómetros ou, obviamente, uma criança que está, por exemplo, na cidade do Fundão e que tem, nesse aspeto, a vida mais facilitada“, fundamentou.

Os custos inerentes aos transportes é outro dos pontos que a autarquia fundanense destaca, visto que estes acabam por ter de ser assegurados pelos municípios, “não havendo por isso uma poupança efetiva“.

O transporte terá de ser assegurado, mas o Ministério da Educação (ME) só paga [essa despesa] em parte e durante mais dois ou três anos (…). E, atenção, que nunca o paga por inteiro. Por exemplo, este município paga quase 700 mil euros em transportes escolares (e já gastou mais de um milhão) e o ME comparticipa em cerca de 170 mil euros” detalhou.

O autarca apresentou ainda o argumento de que as escolas assinaladas têm todas, mais de dez alunos, número que foi apontado como referencial pelo município de modo “a que não se perca nem a coerência, nem a razão“.

No concelho, o ME sinalizou seis escolas com menos de 21 alunos, designadamente nas localidades de Janeiro de Cima, Capinha, Enxames, Telhado, Alcaide e Fatela.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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