“ICEBERG” – Desmemoriados, por Joaquim Vitorino

Os Humanos, Estão a Ficar Desmemoriados.

Holocausto

A falta de exercício mental, pode estar na base deste fenómeno que se está a agravar muito rapidamente; efetivamente o uso das tecnologias de ponta estão a compelir os humanos para a perda de memória que se vai refletir negativamente em vários campos; com uma grande incidência nas relações sociais, e mais concretamente entre famílias e grupos; por exemplo a matemática conhecida no passado como um grande desafio que requeria grande esforço mental, deixou a tarefa para a calculadora que em frações de segundo resolve uma equação que no passado, levaria dias ou meses aos mais brilhantes matemáticos; o entorpecimento cerebral por falta de exercício, tem sérias consequências no comportamento mental e relacionamento social, onde a aprendizagem escolar depressa é esquecida; sendo a memória visual e recordações de infância muito penalizadas, em que os laços e afetos da família são muitas vezes facilmente esquecidos. A memoria é a nossa mais importante herança genética,  e estamos a perde-la; num processo que não é tão lento, como nós o imaginamos; um professor de matemática com vários anos de exercício, nota perfeitamente que de ano para ano os alunos, têm cada vez mais dificuldades no enquadramento desta disciplina, que é a Rainha de todas as outras.

Icebergue

Os laços familiares são muito afetados com a perda de memória, assim como os povos e também as Nações; alguns de nós um pouco mais atentos, apercebemo-nos desta grave realidade. A perda de memória reflete-se com mais impacto nos líderes políticos que a deveriam ter mais viva; os povos europeus têm andado distraídos com este fenómeno, mas felizmente existe alguém que se tem mantido atento a esta realidade, que nos está a bloquear a memória de acontecimentos de um passado relativamente recente; e isso foi constatado com a grande avalanche de xenofobia e antieuropeísmo, aliada a uma inacreditável falta de solidariedade para com os marcados pela fatalidade de terem nascido em países, onde os direitos humanos e perspetivas de futuro são inexistentes, como se viu em frança há poucos dias; num ataque da polícia a um “campo de concentração” de imigrantes clandestinos na zona de Calé com uma  desculpa esfarrapada, de que foram combater uma epidemia de sarna; uma vergonhosa onda de nacionalismo xenófobo num país, que durante anos foi uma referência para os direitos humanos como é o caso da França, agora está a aliar-se à Holanda, à Áustria, Dinamarca e Alemanha, esquecendo a lição do Século XX, em que milhões de americanos e europeus deram generosamente as suas vidas na defesa de ideais sublimes como a solidariedade, e os direitos humanos; eles colocaram estes valores, acima das vaidades pessoais e de rancores, contra os que tiveram a infelicidade de nascerem, com algumas diferenças na mentalidade e na cor. As memórias do passado ajudam-nos no presente; não devemos estar sempre a falar delas, mas não as podemos ignorar ou esquecer; Marine Le Pen não nasceu no meio de uma guerra, mas eu nasci; o Líder da extrema direita holandesa esqueceu Anne Frank; porque também não foi seu contemporâneo; lembro-lhe que Ela, foi um símbolo da resistência no seu país; ambos querem formar no Parlamento da Europeu um partido da direita; porquê e para quê?

Eles e os que os seguem, só podem estar a serem vítimas de uma grande falta de memória, esqueceram a grande lição que o passado recente nos deu; é que a história repete-se com uma subtileza que nem nos apercebemos; e quando damos pelos erros que cometemos, já será tarde de mais.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

Vermelha / Cadaval

PS: Às crianças portuguesas; e como hoje é o dia da criança, não esqueço aquelas que a intolerância e o racismo xenófobo, nunca deixaram crescer. “Refiro-me ao Holocausto”

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