A quem obedecemos nós!…Livre arbítrio ou determinismo?

Os filósofos estão muito divididos neste campo, desde a antiguidade até aos pensadores contemporâneos; mas os defensores da relação de causalidade e efeito, são suficientes para manter esta apaixonada discussão em aberto.

Os deterministas são defensores acérrimos da inevitabilidade, e afirmam que o destino é uma lei cega que escapa ao controle do homem. Não estou em nada virado para este terrível paradigma; porque acredito que existe algo superior às leis implacáveis da natureza!.. “DEUS”.

A história tem-nos dado exemplos inquestionáveis das vitórias do Bem sobre o mal; veja-se episódios recentes, como foi o caso dos Grandes Conflitos Mundiais, em que os agredidos acabaram por vencer; e as grandes epidemias que dizimaram Nações inteiras, mas que acabaram por se extinguirem.

O livre arbítrio é a liberdade do homem versus determinismo; não faria sentido que o bem fosse nivelado pelo mal, ou mais concretamente que o Céu fosse aberto a um grande criminoso, enquanto a um Filantropo o esperaria o inferno; sendo o bem simbolizado pelos valores da equidade e da Justiça; e o mal uma inquestionável aberração.

O livre arbítrio tem uma prestimosa ajuda que é a nossa consciência, que nos avisa sempre que se apresenta uma decisão difícil de tomar; nem sempre decidimos bem, mas não podemos dizer que não nos foi dado o alerta; muitas vezes estas mensagens são transmitidas ao nosso subconsciente, sem que delas nos apercebamos; existe sempre um conflito latente entre o livre arbítrio e a nossa consciência, não são raras as vezes, em que a razão é colocada como a segunda opção; neste contexto, o mal levou a melhor em detrimento do bem. Os humanos ainda estão a viver uma fase de transição, muito distantes do produto acabado. Os deterministas acreditam que ninguém pode fugir às leis implacáveis da natureza, e que todos nós temos o destino marcado, desde os primórdios dos tempos; sendo Cristão, não posso acreditar que esta teoria tenha alguma consistência.

No dia em que estou a escrever este texto, mais de 30 crianças morreram carbonizadas num acidente de viação na Colômbia; o mesmo certamente não aconteceu para cumprir um capricho da natureza; aceito alguns danos colaterais no percurso das nossas vidas, mas jamais acreditaria em tal “monstruosidade” independentemente de os humanos, serem os mais destruidores habitantes do planeta porque estão a destruir o seu habitat, arrastando milhões de outras espécies até à extinção; mesmo assim não acredito, que estejamos condenados pelos crimes perpetrados ao longo da existência humana.

O determinista defende que dar uma esmola a um pobre, não é um ato meritório; é o simples efeito de uma causa que lhe está subjacente; portanto do seu ponto de vista, esta não é uma atitude benemérita, que lhe abrirá o Reino dos Céus; o agente determinista pensa que o pobre tem fome porque existe uma causa, que foi a perda do seu emprego que estava determinado há milhões de anos, muito antes de ele nascer.

O determinista é radical, e coloca todas as pedras dentro do mesmo saco; enquanto os seguidores do livre arbítrio são moderados, e creem que os humanos têm poder de decisão; e que toda a causa pode ter um efeito não determinista, que o agente pode decidir de acordo com o seu próprio arbítrio; tendo ainda uma conselheira que nem sempre segue, que é a sua consciência; motivo que o levou a agir erradamente; existiu uma causa mas o efeito poderia ser diferente; muitas as vezes, um só passo que o “agente” dê inadvertidamente, correrá um risco de enfrentar um destino bem diferente; deixei aqui como exemplo, um acidente de percurso não determinado, um dano colateral nas nossas existências, onde tudo se joga neste complexo palco, desde o nascimento até à morte. O mundo em que vivemos pode ser sem que o saibamos, “uma escola para atingir a perfeição; que até poderá ser virtual, e que temos que o partilhar com mundos “paralelos” coexistentes no mesmo espaço e tempo; sendo um deles, e que a grande maioria de todos nós acredita ser o “Mundo Espiritual”, defendido por diversos credos e religiões; em suma, quando uma criança nasce, não está predestinada a ser um criminoso; porque terá o livre arbítrio de decidir o seu próprio caminho; saberá que a prática do Bem, terá um efeito inverso ao do mal; e que este se for praticado, será sempre punido.

Ninguém é condenado à nascença a ser um pobre, como defendem os deterministas; que a ter alguma consistência esta teoria, teríamos que ir mais ao fundo da questão; que é encontrar a causalidade, que esteve na origem da própria causa.

* Joaquim Vitorino – Bombarral, Colunista do Jornal de Oleiros, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

O livre arbítrio…


Astrónomo Amador

Joaquim Vitorino

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