União dos Sindicatos alerta para a falta de médicos em Castelo Branco

EM DEFESA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE

Luís Garra e Cristina Hipólito

A União dos Sindicatos de Castelo Branco (USCB) alertou hoje para a falta de médicos no distrito.

O distrito de Castelo Branco tem falta de médicos. Por cada 1.000 habitantes, trabalham apenas, em média, 2,4 médicos, quando a média nacional se situa nos quatro médicos“, disse à agência Lusa a dirigente da USCB Cristina Hipólito.

Segundo a sindicalista, esta média é sobretudo influenciada pelos concelhos que acolhem os três hospitais do distrito [Castelo Branco, Covilhã e Fundão], uma vez que em alguns dos concelhos “não chega a trabalhar um médico por cada 1.000 habitantes“.

Em relação ao número de enfermeiros, Cristina Hipólito explicou que a melhoria verificada em relação a 2001 “fez com que o distrito ficasse em linha com a média nacional dos seis enfermeiros por cada 1.000 habitantes“, sobretudo graças ao rácio dos concelhos de Castelo Branco e da Covilhã. “O número de enfermeiros não esconde, porém, a falta de médicos na região, sobretudo quando falamos de um distrito com freguesias cujas populações têm grandes dificuldades de deslocação para os centros de saúde ou hospital mais próximo“, argumentou a sindicalista.

Centro de Saúde de S. Tiago em Castelo Branco

De acordo com os números da USCB, o número de profissionais ao serviço dos centros de saúde [médicos, enfermeiros administrativos e auxiliares] “diminuiu em cerca de 13% na última década“.

Além desta redução, os sindicalistas argumentam que só o número de médicos diminuiu em 17%, entre 2001 e 2011.

Em certos concelhos, a situação chega a ser muito grave, uma vez que a saída de profissionais, sem que fossem substituídos, fez com que ficasse um número residual de trabalhadores para concelhos inteiros“, adiantou Cristina Hipólito.

O distrito perdeu ainda seis extensões de saúde nos últimos 10 anos, com o encerramento de três extensões em Vila de Rei, duas na Sertã e outra em Castelo Branco, além de terem sido reduzidos os horários de funcionamento de muitos serviços.

Além destes encerramentos, em 2012, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) fechou mais quatro extensões na Sertã, o serviço de urgência do centro de saúde de Idanha-a-Nova e o serviço noturno do centro de saúde de Penamacor“, recordou.

Cristina Hipólito sublinhou que as consequências desta situação manifestam-se por um “intolerável aumento nos tempos de espera nos serviços de urgência e no inadmissível aumento do número de utentes internados em macas, nas urgências, por ausência de camas livres nos serviços“.

A dirigente da USCB referiu ainda que ao invés do que o Governo pretende fazer crer estas situações “não se devem a um qualquer objetivo sério de reorganização do Serviço Nacional de Saúde (SNS)“, mas sim “ao desmembramento progressivo por via do encerramento de serviços e da asfixia financeira”.

Referiu que a consequência é a falência funcional das instituições de saúde, “levando ainda mais portugueses à negação do direito à prestação de cuidados e sujeitos a uma política que os condena a uma morte prematura“.

*Com gentileza da Lusa

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