INQUIETUDE – Dez dias

Inquietude

Dez dias

…e votar

Exatamente. Estamos a dez dias para a votação nas eleições europeias.

Muitos portugueses estão neste momento céticos em relação a este ato eleitoral, porque pensam que será um desperdício, o tempo que vão gastar para ir às urnas. Nada de mais errado. Estas são, sem margem para dúvidas, das eleições mais importantes destes quarenta anos que levamos de democracia.

E porquê, perguntaram muitos de vós. Porque, nunca nestas quatro décadas, a democracia esteve tão ameaçada, salvo naquele longínquo ano de 1975, nunca Portugal esteve tão dependente das políticas europeias e porque as coisa na Europa não têm corrido ao nível que colocámos, nós europeus, e portanto é necessária uma mudança. Mudança que relance a Europa no caminho da solidariedade entre povos e nações, mudança que inverta esta política carregada da componente financeira, deixe de parte os interesses egoístas e mesquinhos de algumas nações e devolva aos europeus uma União que caminhe na direção de algo, chamemos-lhe o que quisermos, que devolva coesão entre os seus membros, devolva a esperança aos milhões de europeus que dia 25 de maio irão votar nas europeias.

É verdade que há sempre a tentação de dizer, votar para quê, isto vai continuar na mesma, igual, não adianta de nada. Nada de mais errado. Só acontecerá isso se nos demitirmos das nossas obrigações de cidadania, não usufruirmos dos nossos direitos e abdiquemos da arma que o voto constitui nas nossas mãos. Só através do voto podemos contribuir para a tal desejada e merecida mudança. Só assumindo a responsabilidade de votar, podemos criticar. É sempre confortável ir até à praia ou passar um domingo relaxante em casa. Mas depois, criticar quem for eleito não pode ser opção. Porque ao nos demitirmos de um dos nossos maiores direitos, perdemos a legitimidade para o fazer.

A abstenção não é nenhuma manifestação de intenção de voto, de discordância ou mesmo de repulsa pelos partidos. Não, é acima de tudo uma demissão da nossa condição de cidadãos. Seremos mais cidadãos quanto mais participativos formos. Não votando, abstendo-nos, ficamos mais pobres porque a plenitude dessa condição de cidadania passa, necessariamente, pela participação ativa na vida coletiva das nossas sociedades. Sejamos portugueses, espanhóis, franceses ou mesmo alemães.

Travar as políticas de austeridade que muitos dos europeus sentem na pele, passa, obrigatoriamente, por ter uma voz ativa nas decisões coletivas. É isso que dá força aos povos.

Assim declaro que dia 25 vou votar. Vou votar contra a abstenção. Vou votar na mudança. Vou votar por uma Europa solidária, coesa, desenvolvida e porque não federalista.

Votem em quem votarem, o importante é votar. Conto convosco.

* José Lagiosa, Director – Adjunto

INQUIETUDE é a Coluna semanal do Director -Adjunto, às 5ªs feiras.

Abstenção...NÃO

 

 

Eleições Europa

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