Inquietude – Só de alguns

Inquietude

Só de alguns

O tempo veio dar razão às dúvidas, para mim foram sempre certezas, que mantive desde a primeira eleição do atual Presidente da República.

 

Cavaco Silva

Já nesse tempo declarei, publicamente em espaços de opinião na comunicação social, muitas reservas sobre as expetativas que valeria ou não manter em relação a Aníbal Cavaco Silva. Disse e voltei a repetir aquando da sua segunda eleição, que reconhecia a legitimidade das eleições mas que o senhor não era nem nunca seria o meu presidente.

Esta semana, Cavaco Silva, deu-me os argumentos que àquelas datas não eram mais que sentimentos, muitas vezes mais emocionais que racionais. A propósito da saída “limpa” de Portugal, do protetorado da troika, o Presidente da República, mais do faz de conta do que do real, veio criticar no Facebook, aqueles que há semanas ou meses diziam que o País não conseguiria sair do programa de assistência económica e financeira, leia-se resgate, sem o apoio de um programa cautelar. Ao fazê-lo, Cavaco toma descarada e decididamente partido de uma das fatias da sociedade portuguesa contra os restantes portugueses, que livremente têm o direito de discordar.

Quebrou assim, o que jurara, na sua última tomada de posse. Ser o presidente de todos os portugueses. Afinal, como eu venho defendido, desde sempre, Cavaco não é, nunca foi e nunca será o meu presidente. Para mim deixou até de ser o mero inquilino do palácio de Belém e passou a ser um ser indefinido que se preocupa mais com a sua pessoa, as suas pensões e os cortes que sofreram, do que com os reais problemas de Portugal e dos portugueses.

 

Que vê Cavaco?

Agora que se aproxima a sua viagem oficial à China, apelo ao povo chinês que receba, aquele que é sobretudo uma espécie de presidente, condignamente como representante de parte de Portugal. O Portugal dos capitalistas, dos traidores do povo, dos exploradores dos mais fracos, dos representantes dos que têm beneficiado com as vigarices, casos do BPN e outros que tal, mas não o receba como presidente de todos os portugueses, coisa que ele nunca foi, não é e nunca será. A começar por mim.

* José Lagiosa, Director-Adjunto, escreve Inquietude todas as 5ªs feiras.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Opinião. ligação permanente.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *