Falar com franqueza, por Maria Alzira Serrasqueiro

Falar com franqueza

Inicio aqui uma colaboração com o meu concelho de nascimento e coração, através do Jornal de Oleiros, publicação que aprendi a respeitar e acompanhar desde o seu início, pela admiração e amizade que tenho há muito pelo seu Director, Paulino B. Fernandes.

 Tentarei não defraudar as simpáticas expectativas que foram difundidas pelo Jornal, estando eu claramente na frente de defesa do Concelho de Oleiros, bem como de todo o Distrito de Castelo Branco.

E que melhor tema para este início, que o da defesa das acessibilidades em Saúde, tema que me é tão caro desde sempre?

Pois foi com enorme tristeza que vi a Portaria n.º 82/2014, de 10 de Abril. Já esperássemos más notícias neste sector, desde há alguns meses; mas nada de tão mau se aguardava….até porque tinha estado muito recentemente em Castelo Branco o Ministro da Saúde que disse expressamente que não se punha em causa quer a Maternidade quer qualquer outro serviço do Hospital/ULS de Castelo Branco.

Bem prega S.Tomás….o que hoje é verdade, amanhã já é mentira!

Pois agora foi publicado um diploma legal (e portanto é para cumprir) que extingue já a Maternidade em Castelo Branco e na Covilhã, ficando os serviços mais próximos em Coimbra e Viseu….

Voltamos ao princípio do século 20, quando todos os portugueses nasciam em casa sem as mínimas condições higiénico-sanitárias, com elevadas taxas de mortalidade infantil? Parece bem que sim.

E que fazer?

A Assembleia Municipal de Castelo Branco aprovou já por unanimidade uma Moção a enviar ao Ministro em que se propõe “defender a continuidade da manutenção de todas as valências existentes no HAL” e afirma “a necessidade de manter um Serviço Nacional de Saúde para todos os cidadãos, melhorando o acesso aos cuidados de saúde e lutando contra todas as tentativas camufladas de o querer desmantelar“.

Muito bem…mas eu lamento desapontar os leitores, acho que já é tarde demais!

Quando defendi com outros, a criação de um Centro Hospitalar para todo o Distrito, era clara a manutenção de dois Serviços de Obstetrícia, em Castelo Branco e Covilhã, e um Bloco de Partos em Castelo Branco; não havia extinção de serviços para todo o Distrito, antes complementaridade e optimização de recursos, sem que houvesse prejuízo para os cidadãos. Era essa a base que se discutia.

O que aconteceu então foi um terramoto político, trazendo para a praça pública uma discussão que então era meramente técnica e que em nada comprometia o Distrito;

Quando agora se defende (e bem) uma “verdadeira reforma hospitalar de uma forma racional, participada e transparente, mantendo uma lógica de cobertura em redes de diferenciação e não apenas o encerramento de camas e serviços, mais não é que retomar o que então se estava a fazer….atrasamos esta reorganização por 5 anos, e agora impõem-nos o que antes tentávamos evitar.

Eu lamento muito; estou disponível para lutar publicamente contra esta política altamente penalizadora para as nossas populações, mesmo ao lado daqueles que antes me tentaram crucificar. Vamos a isso!

Maria Alzira Serrasqueiro

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota do Director: Momentos altos, incentivos adicionais. É o que sentimos ao anunciar a Dra. Maria Alzira Serrasqueiro como Colaboradora Especializada do Jornal de Oleiros. Figura marcante no Distrito de Castelo Branco, a última Governadora Civil do nosso Distrito, “empresta-nos” o Seu prestígio e ajuda a aumentar a qualidade. Passará escrever regularmente com a Coluna ” Falar com franqueza.

Bem vinda.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a Falar com franqueza, por Maria Alzira Serrasqueiro

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Para além de uma grande falta de sensibilidade, é também uma hipocrisia por parte do primeiro ministro, porque ainda recentemente se mostrava muito preocupado, com a quebra da natalidade no nosso país; o combate à desertificação começa por não fechar maternidades; sendo a decisão de o fazer precisamente o oposto; espero sinceramente que se não venha a concretizar.

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