INQUIETUDE – Conquistar o futuro

Inquietude

Conquistar o futuro

Povo na rua

O País tem hoje perto de um milhão de desempregados! Estou a contabilizar os oficialmente inscritos, os que já desistiram de o serem, desempregados de longa duração, “forçados” a pedir a reforma antecipada e os jovens, os milhares de jovens licenciados, desempregados que acabaram por “aceitar” o convite de Passos Coelho a emigrar. A troika do FMI / EU /BCE está, em Portugal, em final de mandato depois de ter “negociado” a ajuda financeira ao país, já lá vão três anos, e ter ajudado o governo neoliberal de Coelho e do irrevogável Portas na sua demanda ideológica que conduziu o País e os portugueses a um empobrecimento alucinante.

…1º de Maio

É com este pano de fundo que se comemora, hoje, mais um 1º de Maio, dia do trabalhador.

Nestes tempos de agora a luta dos trabalhadores é muito diferente daquela que se travava há 20, 30 anos atrás. Hoje os trabalhadores têm de lutar por objetivos completamente diferentes. Lutar pelo direito ao emprego, mas ter simultaneamente noção que nada poderá ficar como dantes. A ajuda financeira a Portugal trouxe violentas alterações nas leis laborais, flexibilizando horários, tornando o despedimento mais fácil e mais barato. Aqui importa defender, no entanto o essencial, garantir o despedimento com justa causa.

Nestes dias difíceis para o país seria imperativo nacional um consenso entre as centrais sindicais, para o aumento da produtividade de forma a garantir, por essa via, uma maior competitividade nos mercados quer nacional quer internacional.

Sacrificámos alguns dos princípios que defendíamos, para garantir, no futuro, mais emprego, melhor emprego, onde a precariedade não seja a norma. Mas será que valeu a pena, face aos resultados, negativos, para quase toda as pessoas, menos para o governo e o FMI?

A situação do país é muito complicada. Inseridos no espaço europeu, sem grande margem de manobra, com uma difícil situação económica e financeira, não vislumbro uma saída deste colete-de-forças onde nos encontramos num futuro imediato. Tenho, no entanto, esperança que o futuro pode e vai ser melhor, com novos horizontes. Com uma mudança. Levamos três anos de dura austeridade, esforços desmedidos dos mais fracos e da classe média. Importa que saibamos ultrapassar esta situação complicada com esperança no horizonte, para podermos atingir patamares de desenvolvimento e crescimento que consolidem de uma forma positiva o sentimento de que valeu a pena os sacrifícios. Com outros protagonistas. Com quem pense nas pessoas, valorizando este esforço dos portugueses, em prol dos portugueses.

Olhar o futuro numa perspetiva global impõe-se, hoje em dia, como uma tarefa necessária para o bem-estar de um Povo que tem de aprender, prioritariamente, a saber viver consigo e com os seus de consciência tranquila, sem dogmas em relação ao passado, mas de igual forma, com determinação para almejar no futuro, objetivos condizentes com valores e padrões dignos de uma sociedade onde trabalhadores, empresários, consumidores, políticos e demais cidadãos, são cada vez mais peças de um jogo, num tabuleiro chamado Europa e onde o mais importante deveriam ser, e muitas vezes não são, as pessoas.

Lutar constantemente por menos desemprego, por melhores condições de vida, são objetivos que cada vez mais deixaram de ser nacionais para ser europeus. Hoje a luta mais do que de cada um de nós, tem de ser de todos, portugueses, espanhóis, franceses ou italianos. Agora mais do que nunca a luta têm de ser uma luta coletiva, em prol dos trabalhadores Europeus!

Saibamos ter a grandeza para deitar para trás das costas, os redutores valores nacionalistas que a nada conduzem e saibamos construir o nosso futuro assente numa identidade europeia que será sem dúvida o caminho do sucesso para os nossos filhos e netos.

* José Lagiosa, Director-Adjunto, escreve Inquietude todas as 5ªs feiras.

1º de Maio imenso

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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