“ICEBERG” – Anos perdidos, por Joaquim Vitorino

 Anos perdidos

Os anos perdidos por Portugal, que alguns políticos justificam serem compensados com a “devolução” da democracia é uma inconsequente falácia, com o objetivo de utilizarem o povo em seu interesse, e depois nada se lhe dá em troca.

O nosso país parou no tempo; caminhamos há anos penosamente para as urnas de voto, em nome de uma democracia que é mais para justificar quem se tem servido dela, do que a benesse que os portugueses usufruíram ao longo dos últimos 40 anos; onde o descalabro da nossa situação económica e a pobreza e atraso, já não tem mais justificação nem a podem camuflar, porque atirou os portugueses para cauda da Europa; onde não existe atualmente um único país a viver em ditadura; por isso vai sendo tempo de não ser explorada por uns quantos, aquela data para justificar os atropelos de que os portugueses têm sido vítimas em nome de uma democracia, que apenas serviu para enriquecer uma classe política e os seus amigos; enquanto a esmagadora maioria do povo português agoniza na miséria total; nada mais lhes restando que os caminhos da emigração, que vão esvaziando os poucos cérebros que temos, para darmos a volta ao fatalismo que marcou a nação portuguesa há mais de 100 anos.

É tempo de refletir e não de comemorar datas, em que cujos benefícios não atingiram a maioria dos portugueses; nem a queda do muro de Berlim vive esta euforia de festas sem sentido. Um líder de um partido político  disse recentemente, que o 25 de abril era uma revolução inacabada; tem toda a razão porque foi mais um assalto ao poder do que em golpe de Estado.

Se o seu partido tivesse em altura própria, aliviado a carga ideológica que o caracteriza, hoje Portugal seria um país próspero; e estávamos longe da situação que vivemos neste momento; não obstante alguns dos militares cheios de boas intenções tivessem pensado o contrário; hoje sabemos o rumo que os acontecimentos tomaram, e contra os factos não existem argumentos.

Aquele partido por exemplo, não acompanhou a evolução na Europa como o fez Santiago Carrilho, que ajudou na democratização da Espanha; um ato patriótico porque sacrificou em pouco tempo 80% do seu eleitorado; a ele e a Adolfo Soarez recentemente falecido, se deve a Espanha democrática de hoje; é esta a diferença abismal entre a ideologia e o patriotismo. Se na altura própria tivesse acompanhado os ventos propícios do “leste”, há muito que o PS ou até mesmo o PSD os tinham chamado ao governo. Compreende-se que a situação portuguesa é difícil e que uns quantos deputados eleitos, servem melhor o interesse do partido; que tem como suporte os votos de muitos dos que caíram na desgraça do desemprego e da pobreza, em consequência de uma democracia para uns, e a ditadura da fome para outros.

* J. Vitorino, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei         

Bombarral – Vermelha

OBS: Não tenho presentemente qualquer simpatia ou animosidade, por  partidos políticos portugueses; apenas expresso a minha livre opinião, a única valia em Portugal que nos deixa “esta democracia”.

Nota: O autor escreve ao “abrigo” do acordo ortográfico.

Iceberg

 

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