25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos, hoje com Luís Correia e Pedro Amaro

Nem só na política participam os homens que hoje são os representantes das mais e diversas correntes de pensamento. Se no plano político, é nas autarquias que os políticos estão mais próximos dos seus eleitores, outras áreas de intervenção há, que são os palcos escolhidos por aqueles que exercem a sua atividade cívica através do associativismo. É o caso de hoje, ao trazermos até aos nossos leitores os testemunhos de Luís Correia, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco e de Pedro Amaro, presidente da direção da Casa da Comarca da Sertã, ambos ainda muito novos à data do 25 de Abril de 1974.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Luís Correia, Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco

Quando aconteceu o 25 de Abril tinha 10 anos e vivia em Moçambique.

Recordo esse dia como um dia normal.

Soube o que tinha acontecido – o que estava a acontecer – pelo meu pai, que quando chegou a casa me contou o que estava a passar-se em Lisboa.

2ª – O que significa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Passados 40 anos sobre o 25 de Abril de 1974, tenho uma perspectiva completamente diferente da data e da sua importância para os portugueses e para Portugal. Para todos nós.

É inegável o caminho que fizemos nestas quatro décadas e as conquistas alcançadas, independentemente dos erros que possam ter sido cometidos.

O Serviço Nacional de Saúde, a Educação para todos, o sistema de Segurança Social, só para referir os mais importantes.

Desenvolvemos, democratizámos, construímos um Estado de Direito, onde a Justiça, a liberdade de expressão, a existência de partidos políticos legalizados, o direito de associação e o voto directo e universal constituem direitos irreversíveis.

Cabe-nos a nós, cidadãos participativos, zelar quotidianamente pela manutenção destes direitos, que temos de passar a olhar -também – como deveres.

Só assim estaremos a cumprir Abril.

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1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Pedro Amaro, presidente da direção da Casa da Comarca da Sertã

No 25 de Abril de 1974 estava em casa, pois tinha pouco mais de quatro anos de idade.

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

A chamada “Revolução dos Cravos”, constituiu uma lufada de ar fresco na sociedade de então, introduzindo alterações significativas mas muitas delas necessariamente graduais no dia-a-dia das pessoas e das instituições.

Embora na sua génese tenha sido uma revolução dos militares, em particular dos chamados “capitães de Abril”, na sua maioria descontentes com as guerras que teimavam em persistir nos territórios ultramarinos e nas quais eles eram uma parte incontornável, logo contou com franca adesão popular.

Passadas quatro décadas do 25 de Abril, muitos são aqueles que se lamentam pelo rumo que o País tomou, esquecendo, porventura, que vivemos em democracia e que esse é um valor fundamental. Convém, contudo, não deixar cair no esquecimento que após o 25 de Abril e em seu nome muitos foram os atropelos à democracia, à propriedade privada e aos direitos dos cidadãos, atingindo o seu ponto alto no chamado “Verão quente” e que apenas terminaram com a contra-revolução de 25 de Novembro de 1975.

Mas afinal, o que nos trouxe o 25 de Abril? Acima de tudo e principalmente a liberdade de expressão, que desde então as novas gerações consideram como adquirida, facto apenas em parte compreensível, pois que nunca vivenciaram outra realidade. Mas teve ainda importantíssimas repercussões a nível do chamado “Poder Local”, aproximando os leitos dos eleitores e reforçando o municipalismo, o que se traduziu numa evidente melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Este assunto, pela pertinência e actualidade que continua a ter, foi, aliás, objecto de aberta discussão numa palestra realizada em 2008 na Casa da Comarca da Sertã, a qual contou com a participação de Pedro Feist, então Vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

40 anos depois da Revolução de Abril, nunca é demais destacar estas relevantes conquistas, pois foram elas que criaram condições propícias à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e ao desenvolvimento do nosso país.




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