25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos, hoje com João Paulo Catarino e José Farinha Nunes

João Paulo Catarino, presidente da CIMBB e da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, hoje uma das vozes mais sonantes e ouvidas em defesa do Interior e José Farinha Nunes, presidente da Câmara Municipal da Sertã, dão os seus testemunhos neste espaço que o Jornal de Oleiros organizou para comemorar os 40 anos do 25 de Abril de 1974. Se, por um lado, João Paulo Catarino era uma criança no 25 de Abril, por outo, José Farinha Nunes era um jovem que prestava serviço militar, em Angola, hoje um país livre e independente do jugo colonialista que o antigo regime, derrubado em Abril 74, teimava em manter sob a alçada e domínio português. Hoje têm um ponto em comum: o poder autárquico…

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

João Paulo Catarino, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova e da CIMBB

A 25 de abril de 1974 tinha apenas 5 anos e estava longe de conseguir compreender o significado dos acontecimentos que se sucediam em Lisboa. Sou um filho da Revolução e cresci no ambiente democrático que abril proporcionou. A experiência que tenho como autarca, assim como os princípios que me norteiam no caminho que traço todos os dias, são resultado das conquistas do poder democrático.

2ª – O que significa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Não posso deixar de assinalar, ainda assim, que muitos dos sonhos e objetivos do 25 de abril continuam por concretizar. Enquanto tivermos um país marcado por fortes assimetrias entre o interior e o litoral, em que as oportunidades não são iguais para todos e uma parte da população continua afastada de serviços essenciais, não teremos cumprido em pleno o projeto de um país que se quer desenvolvido e capaz de tratar todos os seus cidadãos por igual.

É dever de cada um de nós, particularmente os que nos empenhamos no serviço público, melhorar todos os dias as condições de vida dos nossos territórios e sobretudo reforçamos a capacidade de intervenção das populações. Só com uma democracia verdadeiramente participada construiremos, juntos, um país mais forte e coeso.

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1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

José Farinha Nunes, presidente da Câmara Municipal de Sertã

Em 25 de abril de 1974, encontrava-me em Angola, Caxito, a cumprir o serviço militar.


2ª – O que significa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Passados 40 anos, o 25 de abril representa para mim, uma página importante da história de Portugal, um símbolo muito positivo que democratizou Portugal. Sendo hoje comummente aceite que todos temos direito a tudo, importa no entanto, estabilizar este conceito à luz das realidades do País. Estes 40 anos ensinaram-nos que rigor, responsabilidade e parcimónia são valores muito relevantes em democracia, e que para se atingir o estágio de uma sociedade madura e duradoura, com igualdade de oportunidades, justa e solidária, estes valores não se devem descurar.

A par da democracia, o municipalismo foi outra das grandes conquistas da revolução de abril. O Poder Local é responsável por uma mais próxima e efetiva melhoria das condições de vida dos cidadãos, especialmente no interior onde as bem-feitorias e o progresso chegam sempre mais tarde.

Apesar das contingências dos tempos e das crises, Portugal é hoje um País mais feliz e realizado do que há 40 anos atrás.



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