INQUIETUDE – Voto obrigatório

Inquietude

Votar

 Voto obrigatório

 

                                                                             

Durante os últimos 40 anos, tantos quantos passaram sobre Abril de 1974, sempre defendi que o voto não devia ser uma obrigação imposta ao comum dos cidadãos, embora sempre tenha pugnado para que esses mesmos cidadãos exercessem esse direito, mas também dever, votando.

No entanto, desde as últimas eleições autárquicas que venho desenvolvendo uma linha de pensamento, face ao constante aumento da percentagem da abstenção e dos votos nulos, que me leva até à pergunta: que ganharíamos nós, a sociedade, o próprio sistema político se tornássemos o voto, em Portugal, obrigatório, tal qual se faz no país irmão do Brasil?

Votar

 Em boa verdade vos digo que, não tenho respostas, absolutas nem definitivas. Parece-me, no entanto, que face ao cada vez maior número de portugueses alheados desse dever e direito, ao não os exercer, estão a diminuir, a empobrecer a nossa, ainda jovem, democracia.

Não basta só tornar o voto obrigatório, para que tudo se altere e melhore. É necessário dignificar o poder político, torná-lo mais transparente, coisa que o atual governo não tem feito, antes pelo contrário, falar verdade aos portugueses e tornar o exercício da governação em qualquer coisa, em que os portugueses se possam rever, alterar esta tendência negativa de se alhear de tudo o que é partidário e político.

Convençamo-nos que os partidos e a política fazem parte das nossas vidas, goste-se ou não, que sem partidos não há democracia, e que esta é sem margem para dúvidas, o menos mau dos sistemas políticos conhecidos ou inventados até aos dias de hoje.

Evidentemente que ao fim de quarenta anos, esta mudança de pensamento, não é instantânea, nem tão pouco, uma certeza. Não será por isso que as coisas vão melhorar ou se alterar de um dia para o outro. Mas quantos e quantos se abstêm, já lá vão alguns atos eleitorais, demitindo-se de um dever e de um direito, mas também de uma escolha e depois são os primeiros a reclamar, zangados, com o desempenho dos que, eleitos democraticamente, bem ou mal, vão exercendo o poder. Esses que se demitiram que contribuir para uma escolha, não têm, em boa verdade, moral para reclamarem daqueles ou daquilo em que se estiveram a “marimbar”. Votar é escolher, mesmo quando se escolhe mal, mas é a essência do regime democrático. Votar e participar.

Ao longo da minha vida, tinha 17 anos a 25 de Abril de 1974, sempre aprendi que não basta usufruir da liberdade que os valorosos Capitães de Abril nos devolveram nessa madrugada heroica. Isso é ser um mau cidadão. É necessário participar, umas vezes mais, outras vezes menos, porque essa participação é que dá plenitude a essa liberdade, enriquece-a, fortalece-a e dignifica-a.

Agora, que falta pouco mais de um mês para as eleições Europeias, que se realizam a 25 de maio, e numa época em que o futuro da Europa é das coisas mais importantes para nós portugueses, espero que possa e tenha que alterar esta minha opinião, para aquele que sempre foi, o meu pensamento em 40 anos.

* INQUIETUDE é a Coluna semanal do Director-Adjunto José Lagiosa, às 5ªs feiras.

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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