25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos, hoje com Manuel Lopes Marcelo e António Luís Beites

Várias gerações partilham, 40 anos após o 25 de Abril de 1974, a liberdade, nas suas mais diversas figuras, liberdade de expressão, liberdade de associação, liberdade de votar, liberdade de ser eleito democraticamente, liberdade de contestar. Hoje, os nossos convidados encarnam perfeitamente essa diversidade geracional. Se por um lado, o economista Lopes Marcelo está hoje também ligado à cultura, na  etnologia e no teatro, o bancário António Beites, está intrinsecamente ligado ao Poder Local, símbolo das conquistas de Abril, o que prova que nascer em liberdade, afinal, não condiciona o nosso dever cívico de participar na vida política.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Manuel Lopes Marcelo, economista, etnólogo e presidente da direção do Vaatão

No dia 25 de Abril de 1974, encontrava-me em Lisboa a trabalhar. Da informação obtida no meio universitário, sabiamos na Associação de Estudantes de Económicas que estava em preparação algo contra o regime opressor mascarado de «Primavera Marcelista». Nos meses anteriores foi intensa a realisação na minha Escola de eventos politico – culturais com a presença de Ary dos Santos, José Afonso , Tossam e Adriano Correia de Oliveira.

Confirmada a orientação progressista e de ruptura do Movimento das Forças Armadas, participei na festa da rua, emotiva e genuína.


2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

O que representa na nossa sociedade actual o 25 de Abril? A liderdade, acima de tudo! Já não tanto a liberdade livre e a militante convicção de que só a verdade é revolucionária! Ele há por aí tantas verdades, tanta pintura e verniz, tanto fingimento, tantas palavras sem conteúdo! Ficou-nos a democracia a funcionar, representativa, de tempos a tempos nos actos eleitorais. Mas, chega – nos? Parece que não, atendendo aos resultados a que nos conduziu o sistema eleitoral em vigor!

Revisitar os valores e os projectos fundacionais do regime democrático, ainda representa um sobressalto cívico e cultural que não pode deixar-nos indiferentes. Neste sentido, a vibração e a energia decorrentes do 25 de Abril continuam a ser a fonte de inspiração e de referência para a capacidade de resistência, de crítica e de valorização das pessoas. Ou seja, uma verdadeira  cidadania de igualdade de oportunidades, de direitos e deveres de participação.

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1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

António Luís Beites, presidente da Câmara Municipal de Penamacor

Pelo presente informo que no dia 25 de Abril de 1974 ainda não era nascido!!!!

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Relativamente á importância do 25 de Abril, volvidos 40 anos, creio que devolver a liberdade ao povo é um direito dos cidadãos, pelo que esse marco representou para todos aqueles que viveram na opressão oriunda da ditadura, sem liberdade de expressão, e condicionados a um conjunto de regras altamente restritivas, um sentimento de liberdade que muitos deles nunca tiveram antes. Tornar Portugal um País livre e democrático, foi de facto um marco importante na nossa história, no entanto, talvez hoje essa liberdade de expressão comece a ser uma condicionante muito considerável para que a verdadeira democracia possa ser praticada. Mas enfim, viva o 25 de Abril!!!

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