25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos

Com o 25 de Abril de 1974, os portugueses viram chegar a liberdade que permitiu a partir daí outras conquistas que modificaram, por completo, o panorama do quotidiano de Portugal. Com a liberdade vieram, a liberdade de expressão e manifestação, a liberdade de associação, o voto livre e democrático, os partidos, a descolonização, a Constituição da República de 1976, o Poder Local representativo da populações, o Estado Social, O Ensino Público gratuito, a Segurança Social universal, o direito à greve e, porque não dizê-lo, a Europa. Muitas destas conquistas estão hoje em perigo. Por isso é muito importante relembrar, nomeadamente aos mais novos que já nasceram em liberdade, aquilo que os nossos pais e avós passaram e que não queremos volte mais, a pobreza e a fome.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Maria José Batista, Administradora dos SMCB e candidata PS às Europeias 2014

Encontrava-me em Coimbra, onde às 8 horas tive conhecimento do que se passava em Lisboa.

Aquilo que se ouvia era “aqui Comando das Forças Armadas…”

A atenção, nesse dia histórico, prendia-se exclusivamente com as informações sobre os pontos estratégicos que iam sendo tomados, conquistados. As canções até aí proibidas eram cantadas por todos.


2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Ainda representa liberdade, mas hoje quando somos confrontados com tantos problemas sociais e grandes dificuldades em afirmar um desenvolvimento que nos aproxime, de forma segura, dos nossos parceiros europeus e quando estamos perante um quadro em que os melhores valores são postos em causa, é necessário resistir ao modelo neoliberal que nos querem impor, reafirmando os sistemas públicos de Saúde, Ensino e Segurança Social.

O Estado Social é a grande Conquista de Abril.

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1ª – Onde se encontrava no 25 de Abril de 1974?

Fernando Jorge, presidente da Câmara Municipal de Oleiros

No dia 25 de Abril de 1974, encontrava-me em Lisboa. Soube muito cedo da Revolução dos Capitães. Há época, eu estava no 3° ano da Faculdade de Medicina e vivia num quarto na Rua da Beneficência, bem junto do Hospital de Santa Maria. Poupava-se muito. A luz apagava-se às 23 horas. Se queríamos estudar para além dessa hora só com pilha, em alternativa levantávamo-nos cedo e estudávamos à janela com o nascer do dia. Tinha um pequeno rádio que costumava ligar quando o despertador me acordava. Talvez por volta das 5 horas da manhã liguei-o e soube que os militares estavam na “rua“. Às 10 horas dessa manhã já estava com os meus pais em Castelo Branco.


2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Acima de tudo, LIBERDADE, liberdade de reunião, liberdade de expressão, liberdade de pensamento, liberdade de associação, liberdade física, liberdade biológica, liberdade psicológica e por aí adiante.

E se muitas vezes o conceito de Liberdade tem sido adulterado nunca foi por culpa do 25 de Abril, tal como dizia Santo Agostinho: “é possível querer o que não se pode fazer e é possível que se faça o que não se queria fazer“.

Nada melhor na vida que vivê-la com Alegria em Liberdade.


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