A imagem na política não é tudo, por Paulo Freitas do Amaral

A imagem na política não é tudo

Entre pessoas portadoras de deficiência física e mental, deficientes motores, invisuais e surdos-mudos, há no nosso país perto de quase um milhão de deficientes, aproximadamente 10% da população.

Como causas da sua deficiência, apontam-se entre outras, os acidentes de trabalho, a guerra de África, o alcoolismo, a insuficiente assistência materno-infantil e os acidentes de estrada.

Uma tão vasta e grave situação obriga-nos a tomar consciência da importância de evitar quanto possível as circunstâncias e perturbações que originam as deficiências e por outro lado, tratar dos portadores de deficiência como pessoas e descobrir e aproveitar as suas capacidades.

A política no que toca a esta problemática deverá estar na vanguarda das áreas da sociedade que promovem a integração, a normalização e a personalização a que as pessoas com deficiência têm direito na sociedade, rejeitando todas as formas de descriminação, isolamento ou de segregação. Na politica portuguesa são raros os casos de participação de pessoas portadoras de deficiência.

Estes problemas têm que ser encarados com determinação e coragem por todos os partidos, tratam-se de pessoas como quaisquer outras, merecedoras de toda a atenção e respeito.

O País precisa do trabalho de todos e as pessoas necessitam de meios de sobrevivência. A sensação de inutilidade e de constituir um encargo para os outros prejudica fortemente a personalidade do indivíduo, acarretando-lhe a infelicidade, se não mesmo o desespero.

Todo o ser humano possui uma dignidade única e inviolável, sejam quais forem as suas condições físicas ou psíquicas. A qualidade de uma sociedade mede-se pelo respeito que ela manifesta com os mais débeis dos seus membros e os agentes políticos deverão ser os primeiros a dar este tipo de exemplo na promoção da participação de protagonistas políticos portadores de deficiência.

A ideia de se ser um caso de sucesso só quando se tem saúde, imagem e facilidade de comunicação é falsa.

Existem pessoas com deficiência que conseguem integrar-se na vida social, oferecendo as mesmas garantias, pela sua preparação, de exercer tarefas com melhor qualidade que a de algumas pessoas não diminuídas.

É fundamental que nos mostremos aptos a promovê-los sem favor, dando-lhes as condições que lhes permitam desempenhar a sua vida cívica na sociedade.

Com a colaboração de toda a comunidade, de pessoas e instituições privadas hoje mais atentas à gravidade destes problemas, os políticos têm o dever de ir ao encontro das pessoas portadoras de deficiência e recruta-las para a vida pública.

No entanto, nos anos mais recentes têm aparecido diversas iniciativas oficiais do Estado, algumas de assinalável mérito no campo da recuperação física e no da recuperação psicológica.

Mas o caminho é longo e não é pequeno o esforço a empreender. O respeito pelas iniciativas privadas e o seu apoio e incrementação, a preparação de técnicos competentes, a construção de unidades hospitalares especializadas e apetrechadas, a publicação de legislação própria, o melhoramento de um sistema de saúde que acompanhe os deficientes nas suas reais limitações, são tarefas que estão abertas à acção do Estado e a comunidade tem o direito de esperar dele.

O reconhecimento dos direitos humanos, através de instrumentos jurídicos tanto internos como internacionais, é paradoxalmente ignorado em larga medida, sobretudo em relação aos pobres e às pessoas com deficiência.

É indispensável que o portador de deficiência seja considerado uma pessoa capaz, com responsabilidades assumidas e de que possa dar conta, como os outros seus concidadãos.

Entretanto olhamos a sociedade em que vivemos, tal como se encontra organizada e ainda são muitas as lacunas que existem em termos de condições especiais para os deficientes. No nosso dia-a-dia não se tem em conta que uma décima parte da população é portadora de deficiência.

Qualquer um de nós está sujeito a ser um portador de deficiência, se isso infelizmente acontecer gostaríamos que para além de dificuldades de variada ordem que passaríamos nos fosse reconhecida a capacidade de participação politica ativa.

Esperemos que os nossos responsáveis políticos inovem a curto prazo nas oportunidades que gerem a seu cargo.

* Paulo Freitas do Amaral, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros

Paulo Freitas do Amaral

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques. ligação permanente.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *