25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos

O tempo vai passando e as novas gerações vão perdendo contacto com esta parte, importante, da nossa história coletiva. Se hoje se nasce, felizmente e graças aos Capitães de Abril, em liberdade, tempos houve em que não era assim. Foi há quarenta anos que nos foi restituída essa liberdade pela qual muitos lutaram e alguns morreram, é bom lembrar. Muitos sonharam com a liberdade que haveria de chegar, para esses sonhadores, tarde de mais. Hoje olhamos para trás e parece que foi há uma eternidade. Não, foi só há 40 anos! Hoje dão o seu testemunho dois homens, Manuel Costa Alves e Armindo Taborda que já deram algum tempo das suas vidas à cidadania ativa.

Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Manuel Costa Alves, meteorologista, ex-deputado municipal em Castelo Branco

Estava em Díli como alferes a chefiar o Serviço Meteorológico de Timor. Uma sorte grande que me calhou, em vez de ir operar radares antiaéreos no aeroporto de Bissau. Em Timor, recebi uma segunda pátria. E uma das alegrias máximas: a meio da tarde (era manhã em Portugal), um telefonema, subitamente cortado, soletra “golpe de estado” e deixa a dúvida crucial sobre de que lado tinha vindo. Passo de corrida para a messe de oficiais e um alferes das operações criptográficas descreve-me os primeiros sinais esclarecedores do que acontecera. Ao jantar, princípio da tarde em Portugal, já festejávamos ouvindo o jornal das 13 horas, em ondas curtas, da Emissora Nacional (a Antena 1 de hoje). Tudo muito contido. E, contidamente, nos mantivemos porque, oficialmente, durante umas duas semanas, o 25 de Abril continuava ignorado pelo poder colonial.

– O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Representa o fim da ditadura que iria permitir democratizar, descolonizar e desenvolver. E o grande e belo acordo nacional, uníssono, das emoções e dos anseios aberto com a libertação. Representa, também, a abertura de um caminho original para uma democracia não apenas representativa, mas sustentadamente, inovadoramente, participativa, com o objetivo de atingir padrões elevados de desenvolvimento, cultura, justiça e igualdade. Um caminho muito diferente do que trilhámos e que nos conduziu à beira do poço para que nos empurraram nos últimos anos. Continua a representar a utopia de um futuro para realizar.

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Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Armindo Taborda, ex-presidente da Assembleia Municipal de Penamacor

Em 25 de Abril de 1974,encontrava-me a fazer o serviço militar em Castelo Branco no saudoso Batalhão de Caçadores nº 6.

– O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

O 25 de Abril  teve na sua génese o restauro da democracia e das liberdades como via para o desenvolvimento e uma maior participação política dos cidadãos.

Apesar de todas as vicissitudes valeu a pena. Implementou-se a Democracia e assistimos numa primeira fase a um desenvolvimento importante e a uma participação notável dos portugueses na escolha dos caminhos que tinham como prioridade o desenvolvimento do país. Todos trazíamos uma bandeira e uma ideologia. Todos participámos e fomos um exemplo para o mundo abrindo caminho para a implementação da democracia em vários países que viviam em ditadura. Mau grado as dificuldades por que hoje passamos valeu a pena.

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