O governo “vê o interior como um fardo”

JOÃO PAULO CATARINO INSATISFEITO COM A NÃO INCLUSÃO DO IC31 NAS INFRAESTRUTURAS PRIORITÁRIAS

João Paulo Catarino

O presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), João Paulo Catarino, considerou hoje, à margem da reunião do Conselho Executivo da Comunidade realizado em Vila Velha de Ródão, que a não inclusão do IC31 no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas é a prova de que “o Governo vê o interior como um fardo”.

O que posso dizer é que esta é mais uma prova de que dois terços do território nacional deixaram de contar para este Governo, que encara o interior como um fardo para o resto do país“, disse o autarca.

João Paulo Catarino admitiu que se fizeram no passado “muitas asneiras” e que foram construídas infraestruturas rodoviárias que não deviam ter sido feitas, mas sublinhou que “essas infraestruturas foram feitas no litoral e não no interior“.

No interior, essas infraestruturas fazem parte da coesão territorial do país e foram pagas e financiadas por dinheiros comunitários que vieram para garantir essa coesão territorial“, reforçou.

O presidente da CIMBB disse, ainda, que aquilo que se está a passar “é de uma insensibilidade profunda para as questões do interior“.

João Paulo Catarino lamentou que se estejam a colocar territórios, dentro do mesmo país, “uns contra os outros, o que é muito triste e que no mínimo merece indignação“.

A única forma de corrigir estas injustiças é que haja no próximo quadro comunitário de apoio discriminações positivas em termos de majorações nos apoios comunitários de projetos de privados ou públicos em territórios de baixa densidade populacional“, frisou o autarca.

A construção do IC31, uma via de ligação de Castelo Branco a Espanha é uma das principais reivindicações há muito feitas pelos autarcas da região que não está contemplada no Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas para o horizonte do novo quadro comunitário de apoio, em vigor entre 2014 e 2020.

Este plano surge na sequência de um relatório do grupo de trabalho nomeado em Agosto pelo Governo, cujas conclusões, conhecidas em Janeiro, apontavam como prioritários 30 projetos, maioritariamente na ferrovia e nos portos, com um custo superior a 5000 milhões de euros.

Reunião do Conselho Executivo da CIMBB

O documento aprovado em Conselho de Ministros e agora anunciado publicamente, por seu lado, apresenta um conjunto de 59 obras consideradas prioritárias, num investimento global de 6.067 milhões de euros, mais mil milhões do que o estimado pelo grupo de trabalho. Cerca de metade do valor virá de fundos comunitários.

O Plano Estratégico abarca os setores ferroviário, marítimo-portuário, rodoviário e aeroportuário-logístico, bem como os transportes públicos de passageiros.

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