25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos

Hoje os testemunhos são, os da deputada na Assembleia da República, eleita pelo Partido Socialista no circulo eleitoral de Castelo Branco, Hortense Martins e do presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, com o desassombro de um homem prático e de que não tem tempo a perder. Respostas curtas, rápidas mas carregadas de sentido prático de quem ocupa muito do seu tempo no terreno.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Hortense Martins, deputada na Assembleia da República

Nessa data tinha 7 anos e meio e portanto, estava na chamada escola primária. Tínhamos regressado de França, para onde o meu pai tinha emigrado, tendo mais tarde levado a família. Nessa altura, essa decisão tinha sido tomada porque o meu pai, tinha definido que apenas estaria fora do País até as filhas entrarem para a escola, data em que regressaria, com toda a família, pois não queria correr o risco de que nos “prendêssemos” a uma terra que não era a nossa.

Portanto, o 25 de Abril chegou a essa aldeia na Taberna Seca e remotamente lembro-me que alterámos hábitos que tínhamos na escola onde andava e tinha uma professora para quatro classes, passando a ser uma escola em que deixou de ser fazer determinados atos formais, associados ao regime. Lembro-me vagamente.

Mas, na aldeia a revolução fez com que os filhos da terra, quisessem construir um “Clube” onde o povo se passou a reunir e assim, todos se juntaram para o construir, nos tempos vagos, lembra-me com orgulho o meu pai. Uma obra feita na escola velha que estava em ruínas e assim o povo passou a ter uma associação.

Uma outra consequência, ocorreu mais tarde e deu-se com a tomada de decisão, que foi a transferência da família para a cidade de Castelo Branco, dois anos depois, devido ao ambiente de alguma instabilidade que se vivia e assim viemos viver para uma casa que o meu pai, tinha acabado de construir. Isso mudou a nossa vida e devo dizer, que na altura me lembro de termos ido, contrariadas, viver para a cidade, apesar de todos os fins-de- semana regressarmos à minha a aldeia, a Taberna Seca

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

Passados 40 anos, esta data é sem dúvida um grande marco na nossa História, a todos os níveis.

Recordo muito bem o que era a vida nessa época, em Portugal. As diferenças que existiam, comparando com países como França, de onde eu tinha regressado, mas onde apenas tinha estado uns 3 anos. Mas, devo dizer, que há muito a família sentia, que o meu pai estava a trabalhar, num País melhor, para onde tinha sido impelido a ir, para conseguir “vingar na vida” e aplicar toda a sua capacidade de trabalho.

Comparando com essa altura, os avanços são notáveis, mesmo nas zonas do interior, em que se conseguiram conquistas extraordinárias, embora saibamos que hoje é cada muito difícil desenvolver o nosso interior.

Mas, as conquistas destes 40 anos de Abril, são notáveis ao nível do estado social, nomeadamente na chamada educação para todos. O acesso ao ensino superior, passou a ser uma realidade alcançável e bem sabemos a sua importância, uma vez que a educação é a melhor forma de ascensão social. A água canalizada, a electricidade e outros bens de conforto a que, em geral de forma quase generalizada todos passaram a ter. O acesso à saúde é outro bem que não podemos esquecer e que fez com que déssemos progressos enormes, o que fez com a mortalidade tivesse descido de forma notável.

No fundo, o Estado Social, transformou tudo.

Mas, nestas breves palavras não posso deixar de referir, outra conquista importantíssima, que adveio da Liberdade. A conquista dos direitos pelas mulheres, que se traduzirem em grandes transformações ao nível sociológico, que hoje faz com que seja difícil pensarmos que antes as mulheres nem sequer tinham direito a voto ou poderiam sair do país, sem a autorização do marido.

Estes são apenas alguns exemplos do muito que Abril nos trouxe.

Infelizmente, hoje sentimos que o País está triste e sem esperança, com números de pobreza que nos envergonham, mais de dois milhões de pobres e mais de um milhão abaixo do limiar de pobreza.

O Estado social está em perigo, no fundo o bem-estar que resultou de um modelo social, que estava assente no progresso e na solidariedade está hoje ameaçado por um modelo ideológico que o destrói.

Precisamos de soluções que continuem a assentar na solidariedade dos países, das regiões e para com o individuo. Esperança para renascer para a construção de novas respostas a estes desafios do nosso mundo precisa-se.

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1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Penha Garcia

Armindo Jacinto, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

2ª- O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

A conquista da liberdade.

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