25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos

Hoje, segundo dia de “25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos” o Jornal de Oleiros dá-lhe a conhecer mais dois depoimentos daqueles que têm feito parte da história da região e do País aos mais diversos níveis. A voz a Valter Lemos, presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco, secretário de Estado nos Governos de José Sócrates e João Teixeira, poeta.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Valter Lemos, presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco

No dia 25 de Abril estava em Penamacor e ouvi as notícias pela rádio nessa manhã.

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

O 25 de Abril significa a liberdade. A liberdade de expressão, de criação, de reunião, de opinião. É na posse desta liberdade que se constrói a democracia e o progresso. Apesar dos tempos amargos que hoje vivemos, nestes 40 anos construímos um país incomparavelmente melhor do que o que havia em 1974.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

João Teixeira, poeta

Em 25 de Abril de 1974 cumpria serviço militar em Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, em Lisboa.

Não dormia no quartel, não sabia da revolução… Pelas nove da manhã, como sempre, desci a calçada, tranquilo. Era quinta-feira, o fim-de-semana estava à porta e isso era o melhor que a tropa tinha para mim.

Os que passavam ao meu lado, porém, olhavam-me duma forma estranha, como se fosse um bicho ou súbita aparição. Alguém mais ousado veio no entanto esclarecer-me: “vá para o quartel, que os seus camaradas fizeram uma revolução; a Praça do Comércio está cheia de tanques”…

Nos dias que se seguiram era impossível não ser contagiado pela alegria e pela solidariedade dum povo inteiro que experimentava, após 48 longos anos, respirar a plenos pulmões.

O conteúdo de tudo isto haveria de sabê-lo mais tarde e o empenho na luta pelos valores da Revolução dos Cravos passou a fazer parte dos meus dias. Soubemos depois de Maio e, regredindo, de Setembro e de Novembro…

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

A verdade é que ainda hoje, quatro décadas depois, fazemos bandeira daqueles ideais de liberdade, dos valores e das conquistas sociais, políticas e económicas que a Revolução venceu.

A luta pela Democracia tornou-se mais fácil em liberdade, mas os tiranos, os de antes e os que as sargetas do vendaval foram criando, vieram ao de cima, coligaram-se com poderosos inimigos internacionais e envenenaram de morte a débil democracia portuguesa.

Hoje é o capitalismo internacional com servidores locais, neoliberais chamados, que procura minar até ao tutano o que resta ainda dos valores então conquistados com o 25 de Abril.

Da mesma forma como o fizemos antes, estou certo, continuaremos a luta pelos ideais da democracia, da paz e da independência nacional, que aquele distante Abril nos ensinou e pelo qual muitos ficaram pelo caminho. Como se ouvíssemos a voz do poeta que dizia: “Agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu”.

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