25 Abril, 40 Anos, 40 Depoimentos

José Lagiosa, diretor adjunto

Iniciamos hoje, aqui na edição on-line do Jornal de Oleiros, a nossa homenagem àqueles homens que na madrugada ousaram avançar para aquele que foi um dos mais memoráveis momentos da nossa história a devolução ao Povo da LIBERDADE. Foi um tempo de alegria, felicidade e sonhos. Passados quarenta anos e com imensos episódios que um dia a história se encarregará de esclarecer, chegamos a um tempo em que a maioria desses nossos sonhos se esfumaram e hoje o País está longe de cumprir muitas das promessas de Abril.

Convidámos 40 personalidades que de uma forma ou outra estão ligadas ao passado, ao presente e seguramente muitas delas ao futuro do antigo distrito de Castelo Branco.

Serão publicados dois depoimentos por dia até ao próximo dia 25 de Abril. Iniciamos com os de António Dias Rocha, presidente da Câmara Municipal de Belmonte e Paulino B. Fernandes, diretor do Jornal de Oleiros.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

Paulino B. Fernandes Diretor Jornal de Oleiros e Jornal de Vila de Rei

No dia 25 de Abril de 1974, pouco tempo depois de regressar de África, preparava-me para voltar à empresa de onde tinha saído para o exército e, nesse dia, ia visitar a mesma.

Pelo caminho, inicialmente não me apercebi de nada e só já na baixa tomei conhecimento do movimento militar.

Fiquei pela zona e regressei a casa para seguir o melhor possível pelos meios de comunicação se era possível concretizar o objectivo.

Foi.

Felizmente.

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

40 anos volvidos, quero crer que ainda é possível a manutenção da Democracia e, consequentemente, da liberdade tão valiosa.

Não estou seguro de que tal seja possível…

Infelizmente, a ausência generalizada de estabilidade e, pior do que isso, a falta de perspectiva futura para os cidadãos esmagados com impostos e decréscimo da qualidade de vida, fazem temer pelo avanço de movimentos populistas, contra a Europa, contra a desorganização, contra tudo…”companheiros terríveis da desilusão” e da abertura a qualquer solução…não democrática.

Desejo que tal não aconteça, acredito ser ainda possível a retomada de uma vida digna, mas temo…e, um povo sem pão pode com facilidade estar aberto a aventuras…vidé a França, bastião da Democracia.

1ª – Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?

António Dias Rocha, presidente da Camara Municipal de Belmonte

Estava em Lisboa, era um estudante de medicina, estava na Faculdade, a começar a ficar preocupado porque estavam a aparecer os exames de abril, uma época difícil e enfim um jovem estudante apanhado um bocadinho desprevenido se bem que ia acompanhando na Faculdade as movimentações que iam acontecendo, as famosas RGA(s) da altura. E assim passei o 25 de Abril em Lisboa.

Cheguei a ir à Baixa mas não estive lá muito tempo, voltei porque também tinha a minha irmã que estava a estudar e estava preocupadíssima com o que podia estar a acontecer e vim para perto dela.

2ª – O que representa para si, passados 40 anos, o 25 de Abril?

O 25 de Abril foi da máxima importância. A Liberdade é uma das grandes coisas que temos de preservar na vida e o 25 de Abril trouxe-nos a Liberdade. Portanto não devemos, não podemos esquecer o 25 de Abril e nós que já estamos para lá dos cinquenta ou sessenta anos, temos de preservar o 25 de Abril e dizer aos jovens a importância que teve  o 25 de Abril para a Liberdade que agora gozam e esse é um dos maiores êxitos de Abril, para além de ter sido uma revolução sem sangue e para além de ter permitido a Portugal desenvolvimento, progresso e bem-estar.

Viva o 25 de Abril!

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