INQUIETUDE – Municipais francesas

Inquietude

Municipais francesas

Marine Le Pen

 As eleições municipais francesas, cuja 2ª volta aconteceram no passado domingo, traduziram-se numa pesada derrota do Partido Socialista Francês (PSF), na vitória da Direita e num preocupante, que não improvável, aumento do peso eleitoral da Frente Nacional (FN) de extrema-direita personalizada por Marine Le Pen.

Estes resultados, se não foram um cartão vermelho, foram pelo menos um cartão amarelo a Hollande, obrigando o Governo francês a ser remodelado, tarefa que vai caber a Manuel Valls, que não deixa de ser uma viragem à direita dentro da esquerda.

Municípios tradicionalmente de gestão socialista, alguns há mais de cem anos eram de esquerda, caíram às mãos da direita e extrema-direita, num total de 155 municípios, entre os quais Toulouse, Reims, Angers ou Saint-Etiènne.

Hollande

 Foi uma derrota histórica. É evidente que para este resultado contribuiu seriamente a elevada abstenção, sobretudo daqueles que, agora desiludidos, tinham confiado o seu voto a Hollande nas presidenciais.

A pouco menos de dois meses das Europeias este resultado é um péssimo presságio para os socialistas e sociais-democratas europeus. Empenhados em ganhar as eleições europeias e mudar de maioria no Parlamento Europeu e de novo presidente da Comissão Europeia, este resultado, das municipais francesas, é um mau arranque para tal desígnio. Se a alguns meses atrás se vislumbrava, como hipótese viável, essa vitória, agora as intenções de voto podem ser contaminadas por este resultado que aliado a uma previsível abstenção de dimensões históricas, se traduzirão numa derrota, não só para os socialistas, mas para toda a Europa, já que por este caminho até agora trilhado, e falamos principalmente da última década, o futuro é cada vez mais preocupante.

Durão Barroso

 Falta de coragem política, escravos dos interesses da Alemanha e objetivamente sem o espírito solidário que sempre esteve na génese da União, os dirigentes políticos europeus não têm sabido ou não têm querido impor-se em prol das populações, desta Europa cada vez mais distante do sonho dos seus fundadores.

E é pena. Altura houve, recordo que aquando do pedido de adesão e mesmo ainda no tempo do ato formal da adesão, o espaço europeu era visto como polo dinamizador da economia do espaço europeu em geral, mas também das economias de cada um dos seus membros. Foi um tempo perdido que não volta mais ou será que ainda vamos a tempo de salvar a Europa? Os eleitores decidirão a 25 de maio.

* INQUIETUDE, Coluna do Director-Adjunto às 5ªas feiras

 

 

   

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *