INQUIETUDE – Alemanha

Inquietude

Alemanha

W. Brandt

 Muito se tem falado no papel da Alemanha em relação à sua contribuição para o atual estado de coisas na Europa e principalmente dos países do sul.

É evidente que, desde a chegada da senhora Merkel ao poder, a Alemanha tem tido um papel bastante negativo na condução do caminho europeu, mais por demérito da França, do que por mérito próprio. Isso não apaga, no entanto, o contributo dado para a construção europeia, nos tempos de Willy Brandt e Helmut Schmidt, por este país da europa central e para a grande ajuda prestada, nesses tempos, tanto a Portugal como ao próprio Partido Socialista, e aqui convém não esquecer o também amigo Günter Grunwald, o presidente da Fundação Friedrich Ebert.

H. Schmitt

 Foram, todos eles verdadeiros parceiros, solidários com o PS e Portugal, ora como líderes do SPD, ou já como chanceleres da Alemanha.

Recordo vivamente episódios que ocorreram nesse período, tão distante mas simultaneamente tão vivo: um foi, o das carrinhas furgões Mercedes laranjas, a cor não foi maldade, foi pura coincidência, oferecidos ao PS e que tive o privilégio de, com outros camaradas, ir levantar à antiga alfândega de Lisboa. Fiz nelas, nos dois anos que se seguiram mais de 150.000 quilómetros, nas diversas que conduzi. Também consegui ter dois acidentes, um em Vila Velha de Ródão e outro em pleno centro da capital. E quantas vezes, camaradas meus tiveram que voar até à Alemanha para recolher ajuda financeira dos sociais-democratas alemães. Eram outros tempos, outras vontades, outros líderes e outros partidos.

A. Merkel

Contudo não se pense que as relações nessa época eram só entre os partidos. Não, eram também entre estados, o português e o alemão. O apoio e a solidariedade tão falada hoje em dia pela Alemanha era, seguramente, uma realidade. Hoje, infelizmente, só é falada mas tem práticas diferentes fazendo prevalecer os interesses individuais sobre os coletivos.

Mário Soares recorda no seu espaço, de terça-feira, no Diário de Notícias, um episódio ocorrido no tempo de chancelaria de Helmut Schmidt, entre os dois, sendo que Mário Soares era primeiro-ministro, e Vítor Constâncio, à data ministro das Finanças.

Era um tempo de solidariedade e amizade na Europa e na Alemanha, antes da queda do Muro e um tempo de vivências ideológicas onde se sobrepunha a ajuda para a consolidação da democracia e o estado social em Portugal. Como diz Mário Soares, referindo-se à Alemanha e aos seus dirigentes políticos dessa época “devemos-lhes muito!”

Pena é que não se possa dizer o mesmo desta casta estragada de políticos formados na antiga Alemanha de Leste!

* INQUIETUDE, todas as 5ªas feiras, Coluna do Director-Adjunto josé Lagiosa

 

 

   

 

 

 

 

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