Castelo Branco foi elevada a cidade há 243 anos

Luis Correia

Em actualização

O presidente da Câmara de Castelo Branco Luis Correia disse, na sessão solene comemorativa do Dia da Cidade, que as autarquias vivem tempos pouco animadores e são confrontadas com aumento de competências e diminuição de verbas.

“Com os albicastrenses, faremos o nosso caminho com os pés na terra e com os olhos no futuro, e, enquanto presidente da Câmara, vou continuar a reivindicar medidas de discriminação positiva para o interior”, disse Luís Correia.

Discurso de Luis Correia:

Senhor Presidente da Assembleia Municipal

Senhores Deputados Municipais

Senhores Vereadores

Digníssimos Convidados

Estimados albicastrenses

É para mim uma grande honra dirigir-me aos albicastrenses nesta data particular – o Dia da Cidade –, data que suscita em mim – e em todos os que gostamos verdadeiramente desta terra – um sentimento de indisfarçável satisfação e grande emotividade.

Saúdo, em primeiro lugar, todos os presentes.

E cumprimento calorosamente os albicastrenses pelos 243 anos da elevação de Castelo Branco a cidade

Os aniversários são sinónimo de festa, de esperança renovada, de formulação de votos de sucesso, de perspectivar projectos futuros.

É com este espírito que me dirijo a todos:

  • Analisar o presente;
  • Perspectivar o futuro;

O Dia da Cidade é, naturalmente, uma data que apela e interpela os albicastrenses.

Particularmente neste data, nós – os albicastrenses – temos orgulho da nossa cidade, do nosso Concelho, da nossa História, da nossa condição de origem.

Hoje, reforçamos o nosso sentimento de pertença a uma comunidade. À nossa comunidade.

Mas este orgulho de ser albicastrense não me impede de ser realista.

E realisticamente, todos os dias temos motivos para nos orgulharmos do nosso Concelho e de tudo o que, ao longo dos anos, especialmente dos últimos anos, foi conquistado para nos colocarmos onde estamos hoje:

  • Entre os primeiros e melhores concelhos e cidades – a nível nacional – para viver, trabalhar e formar família.

Nos últimos anos Castelo Branco tem sido distinguido em duas vertentes distintas:

Por um lado, a Câmara Municipal foi já premiada, mais do que uma vez, pela qualidade e eficiência da gestão financeira;

Por outro lado, a Cidade já alcançou, também mais do que uma vez, prémios e distinções que a classificam como a cidade – ou uma das cidades – com MELHOR QUALIDADE DE VIDA no nosso País, num ranking que avalia questões fundamentais como a Qualidade dos Serviços e Equipamentos nos diversos sectores de actividade (Saúde, Educação, Cultura, Desporto, Lazer), mas também Acessibilidades, Transportes Públicos, Segurança, Espaço Público, e dinâmica do Mercado de Trabalho.

Estes estudos, nunca é demais realçá-lo, são elaborados por entidades independentes e insuspeitas, como a Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas ou a Associação de Defesa do Consumidor (DECO).

O mais recente destes estudos, relativo já ao ano de 2014, foi elaborado pela Bloom Consulting e coloca o Município de Castelo Branco no TOP 25 Nacional dos concelhos com melhores condições para Investimento (NEGÓCIOS), Turismo (VISITAR) e Talento (VIVER).

É, uma vez mais, uma distinção que prestigia a cidade e o Concelho.

E, mais do que isso, é revelador das boas condições que possuímos em todos os domínios e das vantagens competitivas com as quais contamos.

Este estatuto, este reconhecimento repetidamente alcançado, não são fruto do acaso, nem aconteceram da noite para o dia, à velocidade da luz.

São resultados que demoraram mais de uma década a construir e a revelar-se.

São fruto de um trabalho intenso, desenvolvido com constância nos últimos anos.

É este modelo de trabalho, a médio e longo prazo, que vamos prosseguir.

Uma acção estruturada, cujos resultados irão surgindo ao longo do tempo, por forma a que os objectivos definidos sejam os objectivos alcançados, numa perspectiva de desenvolvimento em cadência regular.

Caros albicastrenses,

Tendo como ponto de partida a realidade que sucintamente apresentei, o Executivo camarário encara o futuro com optimismo, mas também com cautela.

Os investimentos realizados e as condições criadas estão ai e correria o risco de ser maçador se voltasse a referi-las.

Há, porém, um facto que não podemos – nem quero – iludir.

Qualquer obra, qualquer projecto, qualquer execução, decorre em três momentos:

  • A criação;
  • A manutenção;
  • A dinamização e potenciação.

A Câmara Municipal – o Município – de Castelo Branco está a iniciar um novo ciclo, que respeita à dinamização e potenciação de áreas de actividade, de serviços, de equipamentos.

E isto é válido para a Actividade Económica e Empresarial, para a Reabilitação Urbana, para a Cultura, Turismo ou Lazer, para o Apoio Social ou para a Educação.

Por tudo isto, reafirmo o meu propósito – e o propósito do Executivo Camarário a que presido – de conduzir um processo de mudança na continuação.

Será caso para dizer que não estamos aqui para fazer uma revolução, o nosso objectivo é de evolução.

Quando muito, se me é permitido, aproprio-me da expressão e da ideia da Revolução Tranquila, ocorrida na já longínqua década de 60 do século passado.

E talvez sinais dos tempos, alguns dos temas que marcavam a agenda política e social nessa altura, estão mais actuais do que nunca.

É que apesar da boa condição da Autarquia e do Município de Castelo Branco, não podemos esquecer a realidade e o contexto nos quais nos inserimos.

E esses são bem menos auspiciosos.

O País vive uma crise generalizada, as famílias e as empresas lutam todos os dias contra enormes dificuldades e as autarquias vivem tempos pouco animadores.

Tempos pouco animadores porque, em simultâneo, as autarquias são confrontadas com o aumento de competências e com a diminuição das verbas transferidas por parte da Administração Central.

Acresce a esta situação o facto do próximo Quadro de Fundos Comunitários parecer ameaçar também as câmaras municipais.

Elaborado para vigorar entre 2014 e 2020, o documento continua em fase de avaliação e discussão.

Ou seja, os fundos comunitários – que foram tão importantes para o Poder Local e para a concretização de todas as políticas de proximidade que contribuíram efectivamente para o desenvolvimento do País – estão atrasados e, quando chegarem, não serão com toda a certeza canalizados na mesma proporção para as Autarquias.

Do que vai sendo conhecido, o Quadro de Fundos Comunitários diminuirá as verbas destinadas a projectos autárquicos.

O grosso do investimento da União Europeia será canalizado para as Empresas, mas também para acções que promovam o Conhecimento, a Educação, a Inovação e a Sociedade Digital.

Desta análise sucinta e partindo do princípio que aquilo que se conhece até agora, em matéria de fundos comunitários, terá tradução futura, o mínimo que podemos concluir é que – no futuro próximo, no futuro imediato – teremos de continuar a fazer o mesmo pela comunidade, mas com cada vez menos dinheiro.

E isso não é tarefa fácil.

Chegados aqui, temos de escolher um de dois caminhos:

  • Ou nos resignamos e aceitamos esta inevitabilidade;
  • Ou então vamos reformular problemas, reinventar perspectivas, inovar na procura de soluções;

Este é, inegavelmente, o nosso caminho.

Castelo Branco vai continuar o ciclo de desenvolvimento sustentado.

Caros albicastrenses,

Hoje a cidade está de parabéns.

Mas as minhas palavras não se destinam a cumprir calendário.

Enquanto Presidente da Câmara Municipal da cidade Capital de Distrito vou continuar a reivindicar a definição e aplicação de medidas de discriminação positiva para o Interior, como tenho feito deste o primeiro momento.

E agora com convicção reforçada pelo facto de confirmar que esta reivindicação não só é justa, como passou a ser uma preocupação permanente e a estar presente no discurso de todos os decisores políticos, a nível local, regional, nacional.

Enquanto Presidente da Câmara Municipal da cidade Capital de Distrito estou disponível para colaborar, para construir pontes com todos os concelhos da Região, sempre e quando os interesses dos albicastrenses não sejam postos em causa;

Enquanto Presidente da Câmara Municipal da cidade Capital de Distrito estou disponível para potenciar sinergias, para criar economias de escala, sempre e quando essas medidas não determinem a subordinação ou o retrocesso de serviços ou entidades essenciais ao desenvolvimento do Concelho, seja ao nível da Saúde, da Educação e Ensino, dos Transportes, do Turismo ou da Cultura.

E defendo estas posições para Castelo Branco com toda a convicção, com toda a determinação.

Por princípio, procuro pautar a minha actividade política pela discrição e racionalidade.

Mas existem questões relativamente às quais temos de assumir a liderança sem hesitações e até, admito, com alguma emoção:

A defesa dos interesses de Castelo Branco e do interesse colectivo dos albicastrenses é um desses casos.

A noção da realidade e o sentimento de responsabilidade impedem-me de fazer qualquer tipo de discurso demagógico ou de assumir qualquer tipo de promessa fácil.

É portanto com a maior convicção que hoje comemoro com todos os albicastrenses os 243 anos da Elevação de Castelo Branco a Cidade.

E é também com a maior convicção que renovamos o nosso compromisso com todos os albicastrenses, no sentido de continuar a trabalhar para sermos um Concelho líder, um Concelho prestigiado, um Concelho de referência.

Vamos continuar a apostar na Economia, no reforço das nossas empresas, na captação de investimentos, na criação de mais emprego e de mais trabalho;

Vamos continuar a apostar na inovação e na excelência, nomeadamente ao nível agro-industrial;

Vamos continuar a apoiar serviços e entidades fulcrais, seja a Unidade Local de Saúde, o Instituto Politécnico, ou instituições de apoio e integração social;

Vamos continuar a reabilitação do espaço urbano;

Vamos dinamizar e reforçar a oferta cultural e desportiva;

Vamos definir e aplicar acções que reforcem a atractividade e modernidade da cidade e, assim, captar e fixar jovens;

Vamos incentivar a preservação das nossas tradições e, assim, captar novos visitantes, dinamizar a actividade turística e criar apetência pela Cidade e pelo Concelho.

Propomo-nos trabalhar arduamente, cumprir o nosso plano e ir mais além, definido novas estratégias de futuro, novos paradigmas para Castelo Branco e para o seu desenvolvimento sustentado.

Mas desenganem-se os que julgam que o nosso ritmo – ou o nosso objectivo – é o foguetório.

Não somos de mediatismos, nem de imediatismos.

A nossa será uma Revolução Tranquila.

Trabalhamos pela defesa dos interesses de Castelo Branco e dos albicastrenses, com políticas planeadas e estruturadas, com efeito a médio e longo prazo.

Num exercício diário, saberemos resistir, com trabalho e dedicação, ao deslumbre dos flashs, às agendas de terceiros, à tentação do folclore do momento.

Com os albicastrenses e pelos albicastrenses, faremos o nosso caminho com os pés na terra e com os olhos no futuro.

Viva Castelo Branco!!!

Nota do Director: A importancia da data e da celebração determina a publicação de opiniões visando o futuro. Não devem ser parciais. Aguardamos os discursos de outras entidades relevantes no Concelho e no Distrito que desejem participar neste decisivo debate..

 

 

 

 

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