INQUIETUDE – Consensos

Inquietude

Consensos

“O pior de tudo é esta coisa dos consensos” – André Freire

Consenso, sinónimo de unanimidade, acordo, anuência, aprovação, assentimento, consentimento ou beneplácito.

É a partir destes sinónimos que hoje abordo esta questão dos consensos tão reclamados, politicamente, por Cavaco Silva, por Passos Coelho e por Paulo Portas.

P. Passos Coelho

Realmente há muito que estes protagonistas políticos vêm exigindo, ao Partido Socialista e ao seu secretário-geral, um ou mais consensos sobre todas as políticas que implementaram em Portugal, a coberto da sua teoria de necessidade de empobrecimentos do País e dos portugueses, em nome de uma credibilização que, antes do mais, interessa aos credores e aos seus agentes no terreno e que dá pelo nome de troika.

Troika

Importa aqui referir que o unanimismo de políticas, visões e futuro são perigosos inimigos da democracia. O único consenso possível ou viável é aquele que António José Seguro e o PS sempre têm veiculado e que acaba de ser reafirmado na passada 2ª feira após a reunião com o primeiro-ministro, é o de equilibrar as contas públicas.

Essa sempre foi a posição do PS essa necessidade de garantir, primeiro aos portugueses, depois aos credores e aos mercados, esse objetivo para Portugal.

A. José Seguro

Mas os consensos acabam aí, porque ambos têm caminhos diferentes para o conseguir e portanto uma divergência insanável na definição da estratégia orçamental.

Este teimar em consensos, chega a ser confrangedor ouvir as vozes da direita, é ideologicamente uma via de caminho único que atenta a democracia, viola os mais elementares princípios da convivência democrática.

Corrigir erros, emendar as práticas e dotar o país de trajetórias orçamentais fiáveis e em consonância com as regras europeias é um fim que não justificam todos os meios.

Mas não se pense que este é só um problema nacional. Não, este é acima de tudo, um problema europeu. Há na União Europeia, tal como a encontramos hoje em dia, seguramente, um défice democrático. Cada vez são mais os poderes não eleitos na Europa.

A esquerda democrática tem que assumir o seu papel sob pena de se criar um vazio que alguém pode aproveitar e que, afinal, não é só um problema da esquerda. É um problema da democracia.

Os consensos de que agora muito se fala e que alguns exigem, significariam que, estivesse quem estivesse no poder, as políticas teriam de ser sempre iguais. Isto seria o fim. O fim da democracia, o fim da alternância democrática, o fim da liberdade. Seria a institucionalização da ditadura dos mercados.

Por isso é tempo de dizer basta! Basta de cretinices, de demagogia, de capitalismo selvagem, de unanimidade, acordo, anuência, aprovação, assentimento, consentimento ou beneplácito.

As últimas cartas ainda não foram jogadas!

 * José Lagiosa, Director-Adjunto, escreve INQUIETUDE todas as 5ªs feiras

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