“A democracia na Europa está cada vez mais cercada”

ANDRÉ FREIRE NA CONFERÊNCIA “A IMPORTÂNCIA DE UM VOTO À ESQUERDA, NAS EUROPEIAS 2014”

Joaquim Morão, Carlos Camões, André Freire e Gonçalo Silva

A Concelhia de Castelo Branco da Juventude Socialista, em colaboração com a Federação Distrital da JS e do PS, promoveu no passado sábado, dia 15 de Março, no auditório da Biblioteca Municipal uma conferência denominada: “A importância de um voto à Esquerda nas Europeias 2014”, com a presença do professor e politólogo André Freire no sentido de realçar a força da esquerda como uma alternativa e uma mudança efetiva. Por motivos de saúde, não pode estar presente, José Medeiros Ferreira, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros.

André Freire, fez a sua intervenção inicial sobre da história das Esquerdas Europeias e sobretudo da Social-Democracia, com base no seu recente artigo “Crise e Transformações nas Esquerdas Europeias, antes e depois do fim dos regimes do “Socialismo Realmente Existente” (1989-1991) “, publicado no seu livro, “O fim da URSS – A nova Rússia e a crise das Esquerdas”.

Aspeto da assistência

Nesta apresentação analisou, assim, a diminuição da influência dos movimentos de esquerda, muito por causa do avanço da visão neoliberal, da falta de união entre os partidos de esquerda e da crise económica que desafiou o projeto social-democrata. Olhando ainda para o comportamento e a participação dos partidos de esquerda, desde da mais radical e ortodoxa, à mais progressista e reformista, nas últimas décadas, quer no Parlamento Europeu, quer a nível interno de cada país, evidenciou, através de dados estatísticos, a fraca e inconstante participação, na Europa cada vez mais subjugada aos interesses económicas e a instituições que provocam maior desigualdade ao nível do projeto europeu.

Mas foi no período de debate com os participantes e com algumas “provocações” que as afirmações de André Freire ganharam mais vivacidade e deram à noite um clima de “revolução” e “contestação”, nomeadamente sobre a atual crise económica, o descrédito crescente em relação à União Europeia, pelo declínio dos esquerdismos e pela preocupação sobre o atual sistema político.

Respondendo às diferentes questões, onde demonstrou a sua clara preocupação com o estado, não apenas económico mas também social, da Europa, André Freire manifestou ser necessário uma revolta e uma rápida alteração do sistema, passando por uma reinvenção e readaptação dos movimentos de esquerda. Deste modo realçou o papel preponderante destas eleições, que na sua ótica devem constituir um momento de recuperação da influência da esquerda a nível Europeu.

Mas André Freire foi mais longe “ou a esquerda democrática assume o seu papel ou cria-se um vazio que alguém vai aproveitar. Não é só um problema da esquerda. O que se está a passar, na Europa, é um problema de democracia” afirmou, para logo de seguida ir mais longe ao dizer que “cada vez há mais poderes que não são eleitos na União Europeia”.

Na mesma linha, mas infletindo para um patamar nacional, André Freire colocou o dedo na ferida, “o pior de tudo é esta coisa dos consensos”, para logo a seguir reforçar “esteja quem estiver, a política tem de ser a mesma. Isto é o fim da democracia”. Terminou a sua intervenção final com a afirmação eles só falam em confiança nos mercados. Os intervenientes estão reduzidos a mercados e povo. E o povo já não conta”. A democracia na Europa está mais cercada”

* Com José Lagiosa, diretor-adjunto

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