Inquietude

D. José Policarpo

Fui surpreendido, já noite longa, pelo anúncio da morte de D. José Policarpo, antigo Cardeal Patriarca de Lisboa. Transcrevo hoje aqui a crónica que escrevi, há alguns anos, quando muito se falou da possível eleição de D. José Policarpo como Papa, o que acabou por não acontecer. Foi no Conclave que  escolheu Bento XVI.

Esta é uma singela homenagem a um homem bom e culto.

D. José Policarpo

Do percurso que fiz na minha adolescência, faz parte um conjunto de atividades de cariz evangélico, desenvolvidas na Paróquia de Moscavide, localidade dos arredores de Lisboa, que me viu nascer e crescer.

A paróquia, à frente da qual estava o Padre Cosme, homem da Igreja que nunca se demitiu dos seus deveres de cidadão, apoiando dentro do possível e do razoável à época, atividades da oposição nomeadamente a CEUD e posteriormente a CDE, promoveu por altura dos meus quinze anos, em estreita colaboração com o Seminário dos Olivais, que se situa paredes meias com a freguesia, um grupo de dinamização evangélica – EPA, Evangelização

Pré Adolescentes – que para além de atividades de índole marcadamente religiosa desenvolvia também atividades de carácter desportivo e cultural.

Como membro ativo deste grupo, competiu-me organizar variados eventos desportivos, tendo por força disso, conhecido Guilherme d’Oliveira Martins ex- Ministro da Educação e que à data era presidente do Centro Católico.

Tive então ocasião de privar com um grupo de seminaristas finalistas dos seus cursos e que hoje desempenham papel importante no seio da hierarquia da Igreja Católica Portuguesa, como o Padre João Seabra, o Padre Carlos, e o Padre Armando que mais tarde veio a celebrar o casamento do meu irmão, exatamente na Igreja do Seminário dos Olivais.

Era então Reitor deste Seminário, aquele que é hoje o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo e com quem ainda tive ocasião de privar algumas vezes, no âmbito do EPA e praticamente devido às atividades desportivas que se realizavam frequentemente nos espaços desportivos que o seminário colocava à nossa disposição.

Naquela altura, eu estava mais interessado no apelo que o desporto me fazia, mas mesmo assim fiquei sempre deslumbrado com aquele homem culto e sábio que não se inibia de se juntar a nós e participar numa ou noutra “peladinha”.

A Revolução aconteceu, eu fui-me afastando da Igreja mas nunca deixei de acompanhar, ainda que de longe, a carreira de D. José Policarpo.

Ao longo destes anos, que separam estes dias da minha adolescência dos tempos que agora vivemos, muita coisa aconteceu, na política, na Igreja, no País e no Mundo. Assistimos a um dos maiores e duradouros Pontificados da história da Igreja e que marcará seguramente o futuro da Humanidade.

D. Policarpo

João Paulo II deixa marcas profundas no Mundo inteiro. Morreu o Papa. É tempo de escolher um novo Papa.

Discute-se agora, qual o perfil que deve ter esse novo Prelado, de que zona do globo, deve ser originário. Se deve seguir ou não a linha de rumo traçada por João Paulo II. Uma coisa parece certa: não vai ser fácil, para quem vier a seguir, suceder a um homem como este Papa, que marcou tão profundamente a Igreja nos últimos vinte e seis anos.

O Conclave escolherá o novo Pontífice, numa votação que será mais ou menos rápida, conforme a disposição e decisão dos 117 Cardais eleitores e nos quais se inclui D. José Policarpo, que é apontado, por variados quadrantes, como um possível candidato.

Quando for a altura subirá o “fumo branco”.

Quero daqui endereçar a D. José Policarpo, os votos das maiores felicidades, nesta hora que pode ser tão decisiva para a sua vida, como para a vida futura da própria Igreja.

D. José Policarpo, estou certo daria um ótimo Papa. Ele saberia com certeza fazer progredir e aprofundar o excecional legado que deixou João Paulo II.

D. José Policarpo

Que o Espírito Santo esteja com ele, e ilumine o voto dos cardeais.

* José Lagiosa, diretor-adjunto escreve INQUIETUDE todas as 5ª feiras

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