Livres da Tróika, cativos do euro

Portugal terá que viver no cativeiro do euro, e de ajustar-se a esta realidade; é que o tempo para uma eventual saída foi ultrapassado.

Efetivamente um regresso ao escudo seria um desastre nacional que muito rapidamente nos levaria à banca rôta.

Os nossos “patrões” do norte decidiram que temos que continuar no euro, porque se Portugal o abandonasse o efeito seria devastador para eles, evidentemente.

Um programa cautelar a que todos querem fugir, teria como consequência o avolumar e alongamento da dívida, que seria agravado com o “desleixo” em que o país cairia novamente; a troika tem todo o interesse em que se avance com mais austeridade, para recuperarem o dinheiro tão depressa quanto possível, tirando grande vantagem da atitude dos portugueses que têm vindo estoicamente aguentando a carga sucessiva de impostos, que aliada à franqueza do maior partido da oposição nem sequer se aperceberam que grande parte do que lhes tem sido tirado às reformas e salários, foi para constituir uma reserva antecipada, para não penalizar os partidos da coligação nas próximas eleições.

Ultimamente um dos partidos da coligação o CDS-PP, entrou numa campanha alucinante de propaganda de êxitos económicos que ninguém consegue ver, a não ser o seu líder, pois o crescimento do país é quase nulo não obstante as exportações e a procura de produtos portugueses terem apresentado aspetos animadores, como se verificou pela afluência de expositores e visitantes na última feira alimentar em Lisboa SISAB.

Este rasgo de esperança, teria que ser acompanhado de um aumento do consumo interno, e consequente descida do desemprego que só abrandou um pouco, porque continua a fuga massiva de portugueses à procura de “sobrevivência” fora do país. Portugal entrou numa corrida vertiginosa para se tornar numa Albânia, porque já nem a Grécia nos pode servir de referência; os portugueses têm que abrir os olhos para esta realidade, e não se deixar enrolar em propaganda de que o paraíso está ao dobrar a esquina, e que tudo será uma questão de tempo; os (arautos) são bem conhecidos e nada os detêm para continuarem a governar o país coligados ao PSD ou ao PS.

Quanto ao futuro dos portugueses, está à vista para os próximos 50 anos.

Se continuarmos a engolir as mentiras de que o pior já passou, então a culpa deixa de ser deles e passará a ser nossa.

Portugal vai ficar prisioneiro do euro até que os credores o queiram; um recuo ao escudo seria neste momento um desastre, porque alienamos grande parte do nosso património e também das reservas ouro, ao que temos que somar a dívida brutal de mais de 200.000 milhões; regressaríamos numa posição de fraqueza onde o euro seria cotado a mais de 1000 escudos.

Parece que o país já esqueceu que Paulo Portas na sua dança de demissão e admissão, levou o país a perder em 48 horas milhares de milhões de euros, que posteriormente os foi buscar aos trabalhadores e reformados que ele dizia ser a sua maior preocupação. Agora o governo reconhece haver uma folga de 2.8 mil milhões que foram arrancados em parte a cortes que fizeram nas reformas e vencimentos. Contabilizando toda a propaganda com que os portugueses têm sido alvos, uma realidade não nos podem esconder; vamos continuar por muitos anos a ser o povo mais pobre e atrasado da Europa; só nos últimos dois anos, um terço dos portugueses foram atirados para os escalões mais baixos do IRS.

Obrigados a assistir ao regresso dos “intocáveis”, um jogo de tapar os olhos a quem infelizmente não os tem muito abertos, a situação da nossa economia só não é mais grave porque temos Empresários patriotas que apostam na recuperação do país, mas que não é compensada por medidas corajosas para sairmos do fosso, os dados falam por si e ninguém pode alterar; 94.000 “Doutores” sem emprego, a que se somam mais 200.000 que nos últimos 2 anos foram obrigados a deixar o país, são o único abono em favor do Sr. Portas e também do Sr. Passos Coelho, que todavia é um pouco mais comedido e realista; mas cometeu um erro que vai pagar nas duas eleições que se seguem. É o caso Miguel Relvas que ainda está fresco na memória dos portugueses, onde muitos vêm os seus filhos partirem com Licenciaturas tiradas “limpinhas” e com muitos sacrifícios, enquanto cargos públicos e empregos disponíveis, são atribuídos a muitos que as conseguiram através de influências e esquemas inaceitáveis num país civilizado, onde a igualdade de oportunidades é inquestionável.

Passos Coelho colocou a amizade e favores devidos ao Homem que o lançou na política, e que o levou ao cargo de Primeiro-ministro, acima do interesse do PSD e do país; prestando um grande serviço ao fragilizado Partido Socialista que se ganhar as eleições, ficará sujeito a uma aliança com o CDS-PP como se está a desenhar o triste cenário que nos espera.

Os erros pagam-se, e este terá um custo muito elevado para o Primeiro-Ministro.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

Joaquim Vitorino

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a Livres da Tróika, cativos do euro

  1. Antonio Graça diz:

    Excelente peça Amigo Vitorino, o meu receio ´e que os nossos compatriotas continuem a tratar a pol´itica como tratam o clube do coraç˜ao, ou seja, mesmo quando este faz m´as exibiç˜oes nunca mudam.

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