INQUIETUDE – Amor

Inquietude

Amor

Hoje a minha crónica não vai abordar nenhum tema político.

Decidi assim, numa semana que até teve bastantes motivos de interesse, porque não quero perder mais tempo, e pretendo falar de um tema que me diz muito, Amor e Paixão.

Conheci, aquela que é hoje minha mulher, há vinte e seis anos.

O primeiro contacto visual, com a sua figura devido à sua postura causaram-me sentimentos pouco positivos, que não indiciavam um futuro relacionamento pessoal nada promissor. O amor tem destas coisas.

O certo é que com o passar dos dias e meses foi, sem eu dar por isso, crescendo dentro de mim um sentimento, que se foi tornando cada vez mais forte. Estava, obviamente, apaixonado.

E só tomei consciência disso quando, longe dela começou a apoderar-se, cada vez mais, de mim, momentos de ansiedade e sentia um arrepio na espinha quando perto dela.

A minha vida começou a sofrer alterações. Dava comigo a pensar nela constantemente, a querer agradar-lhe, a dizer “baboseiras”, a raciocinar mal, a cometer alguns erros. Não podia continuar assim.

Resolvi manifestar os meus sentimentos. Gritei bem alto amo-te e roubei-lhe um beijo.

Demorou algum tempo até ser correspondido, pelo menos oficialmente, e só alguns meses depois, pude começar a partilhar, com ela, sentimentos, sensações, ideias, projetos. Mas valeu a pena a espera. Ao longo destes anos, construímos a dois, entre outros, o nosso maior e melhor projeto. A nossa filha. A Joana é o testemunho vivo do nosso amor, agora também ela emigrante forçada.

Te doy mi corazon

Construímos, fortalecemos um amor que continua, cada vez mais, presente, vivo, forte e acima de tudo continuamos apaixonados. Uma paixão, menos juvenil, é certo mas mais madura. E grande parte do mérito é da minha mulher.

Ela tem sabido alimentar a paixão, renová-la, enriquecendo não só a nossa relação a dois, mas contribuindo fortemente para o meu crescimento como pessoa.

Nanda

E tem sido ela que nos momentos difíceis, porque também os tem havido, dá a volta por cima e me transmite o amor que me ajuda a ultrapassá-los.

Por tudo isto, hoje em vésperas de Dia dos Namorados, venho publicamente lhe agradecer gritando a plenos pulmões amo-te Maria Fernanda.

Obrigado por tudo ao longo destes anos. Continuo apaixonado por ti.

E porque amanhã é dia 14 de fevereiro, aqui fica a minha lembrança que marcará, para sempre mais um dia das nossas vidas, um poema do grande Vinicius de Moraes:

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor…não cante
O humano coração com mais verdade

Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude

* Inquietude, Coluna do Director – Adjunto do Jornal de Oleiros. José Lagiosa escreve em cada quinta-feira

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