A tragédia do Meco, Vidas inacabadas, por Joaquim Vitorino

Não existe um único país que consiga recuperar de uma crise, se não houver no cidadão um sentimento de que a justiça funciona em pleno; na esperança de que todo o seu esforço valerá a pena.

Na apresentação do ano Judicial assistimos a discursos que de novo pouco dizem, alguns parecem uma cópia dos seus antecessores e virados para consumo interno, sem objetividade real do país que somos, escondem a precaridade da Justiça de que dispomos, e o estado em que estamos.

A justiça pode não ter verbas adequadas, mas não é razão que chegue para a perda de qualidade a que assistimos; existem casos que entraram na Relação há 8 anos que seriam resolvidos em 10 minutos e lá continuam; os portugueses precisam de Justiça, e sabem que Portugal não vai a lado nenhum sem ela.

A Justiça nunca será verdadeiramente exercida se não for sentida, e o nosso país neste momento não sente a Justiça.

A tragédia do Meco vai ficar gravada na memória coletiva deste país, não por uma praxe ter dado para o “torto” mas pelo que se passou a seguir, caso nunca visto num país civilizado porque ainda acredito que o somos, e que terá repercussões por muitos e muitos anos.

Como é possível que elementos essenciais para a investigação deste caso “nebuloso” como os telemóveis das vítimas, tenham caído nas mãos de canais audiovisuais, que imediatamente em nome das “guerras” de audiências, se tenham colocado na vanguarda das polícias a fazerem o papel de investigadores, deixando de mãos atadas os que têm o direito e dever de investigar.

A tragédia do Meco reveste-se de crime porque humilhar, subjugar e exercer um tratamento mórbido e indigno contra alguém, com ou sem o consentimento deste enquadra-se na tipologia de crime; pode ser absolvido pela justiça, mas tem a condenação da sociedade; e é esta que paga e suporta os custos da Justiça.

Alguns dos rituais tangenciam práticas satânicas, e os que as exercem sobre os outros não são nenhuns santinhos; é possível que aqueles que as sofrem, as venham aplicar também a outros na próxima oportunidade e assim sucessivamente; é esta passagem de testemunho que tem que ser travada.

As Universidades são locais de ensino e não de divertimento; alguns honoris dux frequentam-nas há 40 anos sem conseguir uma licenciatura; aguardam pacientemente todos anos, pela época da caça aos Caloiros para repetir o banquete.

O Vice-Primeiro ministro Paulo Portas, condenou com firmeza as praxes “selvagens” o que estou de acordo, mas não proferiu uma única palavra quanto ao entrave à justiça que constitui o furo Jornalístico, em detrimento do apuramento da verdade sobre a tragédia do Meco, em que os mesmos testemunhos já se contradisseram várias vezes; esta falha deve-se em parte à lentidão da polícia, em que a primeira diligência deveria ter sido, a recolha dos telemóveis das vítimas; e o seu conteúdo mantido em segredo de Justiça sem o qual, todo o apuramento da verdade ficará comprometido, ficando as famílias das vítimas duplamente penalizadas; com tanta prova à solta, dificilmente as polícias poderão fazer o seu trabalho; mas existe uma questão pertinente que tem que ser esclarecida em nome da verdade e da memória das vítimas do Meco; porque terão os seus familiares entregue os telemóveis a Jornalistas, quando o deveriam ter sido colocados à disposição dos investigadores policiais; espero não ter sido aquilo que muita gente tem o direito de pensar. Um apelo aos Jovens, não se deixem subjugar às praxes humilhantes e exijam respeito; pensem nos vossos familiares e mantenham a dignidade sem a qual, o vosso futuro será um falhanço, e denunciem aqueles que se querem divertir à vossa custa.

Já nos chega o nosso país, que nos últimos tempos tem andado a ser duramente praxado; os dux são conhecidos e não usam capas negras; são o FMI e o BCE e têm a Alemanha no papel de honóris-dux.

* J. Vitorino  – Vermelha, Colunista do Jornal de Oleiros

PS: À memória das vítimas das praxes académicas, com a minha sincera

solidariedade para com as suas famílias.

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