Daniel, as marcas do Portugal profundo, por Joaquim Vitorino

Daniel

Recentemente enquanto um conhecido futebolista era homenageado com a Ordem Militar da Torre e Espada, e que não está em causa o mérito que teve em a receber, um drama de uma família chocava muitos dos portugueses que ainda colocam os valores humanitários, acima de qualquer mediatismo político ou desportivo.

Daniel tem 18 meses e toda a comunicação social noticiou o seu desaparecimento, e acompanhou com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos; que felizmente acabou em bem para o Daniel, mas deixou a descoberto as vulnerabilidades da sociedade portuguesa nos campos da solidariedade e auxílio, numa zona onde andam “milhões de euros à solta” com golpadas que os contribuintes têm que pagar, em nome da ameaça de independência; uma chantagem usada frequentemente pelo clientelismo político, de quem há muito deveria ter cedido o lugar.

O Daniel que teve a infelicidade de ter nascido em ambiente de pobreza como todo o Mundo pode testemunhar, deixou visível o alheamento de quem deve zelar minimamente pelos mais vulneráveis da sociedade portuguesa; o que se viu deixa-nos um sentimento de revolta; numa pobreza incomensurável a todos os níveis, oito pessoas a viver num espaço e condições que nos deveria envergonhar como um país civilizado, 3 crianças e 5 adultos desempregados, que deixaram transparecer que se trata de gente muito humilde, onde a roupa branca estendida marca presença, naquele triste cenário de pobreza.

O avô do Daniel, com as lágrimas nos olhos disse ter pedido diversas vezes ajuda para os netos e restantes familiares, para complementar um mísero rendimento que não chega a 600 euros; e a única ajuda obtida dos serviços sociais, foi a fria e incompreensível desculpa de que também tinham dificuldades.

Portugal tem duas sociedades paralelas; nos últimos 40 anos caímos no maior fosso assimétrico de toda a Europa, onde toda a culpa cabe às elites políticas e oligarquias partidárias, que colocaram Portugal no “Fundo da Europa” a que levou muitos países, a deixaram de ter o mínimo respeito por nós.

O caso Daniel não acontece só na Madeira, infelizmente podem contar-se por centenas de milhares em todo o país.

Felizmente o Menino apareceu são e salvo; a grande maioria dos portugueses folgaram de alívio, mas a reportagem a seguir em que foi dado a conhecer o local onde vivia o menino com a família, deixou os portugueses mais sensíveis numa situação de confrangimento.

Portugal está a regressar muito rapidamente aos “bairros de má memória como o casal ventoso, a musgueira e as galinheiras” só para dar um exemplo; e têm como destinatários as até há pouco classes médias que andam quase a tangenciar a pobreza; o governo tem fustigado violentamente quem trabalha e produz; são os alvos da primeira linha em benefício e cobertura de quem as elites políticas decidem proteger, como se viu recentemente com o perdão de parte da dívida para o cumprimento do défice; muitos dos que foram perdoados têm enormes contas em paraísos fiscais.

Portugal não é pertença de apenas 8% da sua população, que são as classes que se protegem entre si há mais de 30 anos. Os graves problemas sociais como o caso Daniel vão passar ao lado porque existem para eles outras prioridades, como se viu ultimamente com a questão das futuras presidenciais; em que já começaram a fatiar o bolo.

Todos sabemos quem são os “donos da Republica” e quem a controla; em antena aberta e nos Jornais, atacam e defendem-se despudoradamente.

Casos como os de Daniel têm que esperar por melhores dias. Em reposição da verdade e no atual contexto em que os cidadãos são abandonados pelos governantes à sua sorte; seria devolver Portugal à Monarquia, que foi apeada em nome de um povo que a República nunca serviu; tendo os seus “mentores” vindo a servir-se dela há mais de 100 anos.

* Joaquim  Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros 

 PS: Ao menino Daniel e Família com toda a simpatia e solidariedade do Autor. Eles são a ponta visível do Icebergue, de toda a desgraça oculta que vai no nosso país.

Joaquim Vitorino

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Inclusão. ligação permanente.

3 Respostas a Daniel, as marcas do Portugal profundo, por Joaquim Vitorino

  1. Andreia Tareja diz:

    Os meus sinceros parabens pela entrevista.
    Hoje, tive o prazer de conhecer o Sr.º Joaquim Vitorino e desde já valorizo toda a sua sensibilidade descrita no texto em cima e toda a realidade que nos transmite.
    A vida que hoje corre não está facil com tendencia para piorar.
    Os meus votos de força e um conselho não desistam!!!

  2. A importante peça publicada pelo meu Companheiro, Joaquim Vitorino, Ilustre Cavaleiro da Cruz Azul é também assinalável pois interpreta o espírito solene e grande dos Cavaleiros da Cruz Azul, cuja principal preocupação é a inclusão e a salvaguarda das populações, razão pela qual existimos.
    Ogulho-me como Inspector-Geral para Portugal dos Cavaleios da Cruz Azul, de ter a nosso lado e no nosso seio Homens como o Joaquim Vitorino.
    Na verdade é chocante ver como reagiu a classe dominante na Madeira (aquilo que designam de mamadeira), lastimável e apenas possível num teritório a que chamam ainda país, provávelmente já de forma imprópria e inadequada.
    Em de Fevereiro estaremos de luto profundo, pois foi aí que começou o “desastre” do nosso povo, ao ser assassinado o Rei Legítimo, El-Rey Dom Carlos. Com ele e com Homens como ele, isto não seia possível.
    Director

    • Carissimo Inspector Geral dos Cavaleiros da Cruz Azul
      D. Paulino Voce tem razao!
      O artigo do nosso Amigo Cavaleiro Joaquim Vitorino è
      VERDADEIRAMENTE excepcional!
      Elogios…elogios…elogios!
      Um grande abraço e muitos sinceros cumprimentos.
      D. Rosario

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *