Jornada de reflexão a nível nacional, Ministro da educação em causa

JORNADA DE REFLEXÃO A NÍVEL NACIONAL

Nega-se a realidade para manter o preconceito” afirma Válter Lemos

A Escola Superior de Educação de Castelo Branco (ESECB), foi uma das que aderiu e realizou uma sessão no âmbito da Jornada de Reflexão das Escolas Superiores de Educação, que decorreram em simultâneo em todas as Escolas Superiores de Educação do país, no seguimento das polémicas declarações do Ministro da Educação, Nuno Crato à RTP1, no passado dia 18 de dezembro.

Na sessão da ESECB, que decorreu no Auditório da Escola, quinta-feira dia 16 à tarde, estiveram presentes no primeiro painel, o mais importante sob o ponto de vista político, já que os demais tiveram como discussão temas mais técnicos, um dos membros da Comissão Instaladora da ESECB, Figueiredo Martinho, a diretora da Escola, Cristina Pereira, o presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), Carlos Maia e o presidente da Assembleia Intermunicipal da Beira Baixa, Válter Lemos e ainda o presidente da Associação de Estudantes da Escola, César Vieira.

Todos foram unanimes na defesa do Ensino Superior Politécnico.

Carlos Maia referiu na sua intervenção o esforço de aproximação entre o Ensino Superior Universitário e o Ensino Superior Politécnico nos últimos anos, referindo que alguma da recente legislação tem vindo a colocar em causa o caminho traçado.

A consolidação do Ensino Superior Politécnico pode estar em causa”, disse o presidente do IPCB, a propósito da intenção do ministério em instaurar cursos de 2 anos, nos politécnicos, sem grau nem título, questionando “o que são e quais os interessados”.

O ataque mais violento a Nuno Crato, às suas declarações e às suas políticas, estava no entanto, reservada a Válter Lemos que, começou por referir que “é inacreditável” que trinta anos depois de ter pisado, pela primeira vez, o chão da ESECB, o ministro faça as declarações que fez, que só por si “justificam o estar aqui hoje”.

É preciso ter descaramento”, disse. Foi o que aconteceu ao dizer o que disse na televisão.

O ministro Crato está a “revisitar preconceitos e fantasmas”, afirmou firmemente, o ex-secretário dos governos de José Sócrates, acrescentando que “seria impensável que um fundamento de uma política de educação assentasse num preconceito. Pensávamos que estava ultrapassada, há décadas uma situação destas”.

Refere ainda que em momento algum o ministro sustentou as afirmações em factos. Antes pelo contrário. Os factos desmentem o ministro, nomeadamente a significativa melhoria dos alunos portugueses, em todas as provas realizadas. A este propósito já Carlos Maia tinha referido que “entre 1995 e 2011, Portugal foi o país com maior evolução nos barómetros internacionais”, dando como exemplo o PISA.

Mas Válter Lemos foi mais longe ao dizer que “a convicção do ministro, sem argumentação é somente presunção”.

Nega-se a realidade para manter o preconceito”, diria depois, para continuar que “é grave por vir do ministro da Educação”. Não pode ignorar. Ignorar revela que está a fazer um mau trabalho, continuaria.

Mas a acusação mais forte acabaria por vir de seguida, quando disse que, afinal, nada é novidade, pois o ministro há muito que tem esta visão alicerçada na mentira. Referindo o livro da autoria de Nuno Crato, editado pela Gradiva em 2006, O ‘Eduquês’ em Discurso Directo, afirmou “era tudo mentira o que lá está escrito. É charlatanice pura”.

Continuaria dizendo que quando a realidade não cola com as nossas convicções, o que está mal são as convicções que assentam no preconceito e não na realidade.

As ESEs cumpriram uma missão importantíssima”, diria depois para terminar que não são razões partidárias que o levam a fazer estas afirmações. Isso seria um erro. São razões políticas. “O que se está a passar é muito grave para os politécnicos do país, em geral e do Interior, em particular”. Finalmente disse que “o passado está defendido pelo histórico dos resultados, agora é preciso defender o futuro”.

Para terminar César Vieira, presidente da Associação de Estudantes afirmou que está solidário com a luta da ESECB e que “tem muito orgulho, na formação que tenho tido e que continuarei a ter”.

* Com José Lagiosa

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Uma Resposta a Jornada de reflexão a nível nacional, Ministro da educação em causa

  1. paulo diz:

    tem que se admitir que a difrença entre universuidade publica e politecnicos é grande. já frequente os dois e sei o que digo

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