Ventos Alísios, a viragem, por Joaquim Vitorino

Ventos agrestes vindos dos países do Norte têm fustigado duramente Portugal nestes últimos quatro anos, mas já se fazem sentir os moderados alísios; esta mudança é a consequência da persistência dos portugueses em rumarem contra as marés. Tenho que ser honesto e reconhecer a coragem de algumas medidas que foram tomadas, sem as quais o nosso país dificilmente chegaria a BOM PORTO; mas os heróis da viragem não foram aqueles que as aplicaram, porque pouco sofreram com elas; mas sim o povo português que durante os últimos anos as tiveram que suportar.

Desde meados de 2012 que alertei para a crítica situação que o nosso país estava a enfrentar; denunciei situações que poderiam levar a nossa Nação à rutura e à conflitualidade, que mereceram a atenção das mais altas Instituições do nosso país.

Fui sempre contra eleições antecipadas, porque sabia que a situação se agravaria significativamente e Portugal não podia correr esse risco.

Defendi algumas vezes um Governo de iniciativa Presidencial, com pessoas competentes e desvinculadas dos partidos; mas também compreendo que não seria uma tarefa fácil para o Presidente da República; pois iria encontrar uma forte oposição de todos os partidos em especial do PS que à exceção da coligação, reclamavam eleições antecipadas.

A falta de experiência deste governo, deu origem ao prolongamento da crise; e também foram muitas as injustiças que cometeram na área social, como os cortes em pensionistas que já estavam no limiar da sobrevivência.

Reconheço que os partidos da coligação não escolheram os seus melhores para os cargos públicos; alguns saíram das universidades para irem governar o país; outros licenciaram-se quando já estavam em funções; e muitos não quiseram dar a cara por um país “em queda livre” preferindo manterem-se á distância ou foram para comentadores.

Enfrentar o estado caótico em que Portugal se encontrava, não era para “cardíacos” e exigia muito patriotismo; muitos recusaram ocupar cargos públicos.

Portugal vai sair desta situação com algumas mazelas e uma enorme dívida; mas já começou timidamente a recuperar.

Seria muito injusto da minha parte se não reconhecesse que os ventos de mudança, se devem há determinação do Senhor Presidente da República em não optar por eleições antecipadas, que nos conduziriam a uma complicada crise interna; se tivesse sido esse o caminho seguido, hoje estaríamos numa situação de alto risco; com o crédito cortado e sem condições para importarmos bens básicos de consumo; e as agências de Rating a arrasarem a credibilidade do nosso país; quem disser o contrário está a omitir a verdade.

Ultimamente o partido Socialista suavizou o discurso e assumiu uma oposição mais dialogante, porque começou a entender que o mal menor é a manutenção deste Governo até ao final da legislatura.

É uma exigência do país, que está em prioridade face ao interesse de qualquer partido político; em 2015 os portugueses terão esse fator em linha de conta.

Quanto às contas que este Governo terá que apresentar serão muitas evidentemente; terão como atenuantes a falta de experiência que tem sido colmatada com alguma coragem e persistência do Primeiro-Ministro que enfrentou com muita calma as “birras” do parceiro de coligação que sempre tentou desvalorizar.

Não tenho dúvida que a experiência e moderação do Senhor Presidente da República, tem sido fundamental para a estabilidade governativa que se tem feito sentir no abaixamento dos juros da dívida pública, que se reflete na retoma que embora débil já se está a sentir.

Foi uma lição dura que não devemos esquecer nem podemos repetir.

Vamos mostrar ao mundo porque fomos os melhores navegadores de todos os tempos, os Ventos Alísios já se sentem.

Se como parece Portugal, conseguiu dobrar mais um cabo das tormentas; este feito deve-se em grande parte a um Homem, o Professor Aníbal Cavaco Silva.

* Joaquim Vitorino – Vermelha , Colunista do Jornal de Oleiros

Rota marítima portuguesa

 

 

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a Ventos Alísios, a viragem, por Joaquim Vitorino

  1. Carissimo Amigo Joaquim Vitorino
    o Seu artigo è verdadeiramente excepcional!
    Li tudo com muito prazer e posso dizer que
    Voce tem totalmente razao!
    Elogios sinceros, um grande abraço e um bom
    inicio de semana.
    Seu
    D. Rosario
    P.S.: Muitos cumprimentos tambem ao nosso
    Grande amigo D. Paulino.

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