A dívida, um povo e uma nação, por Joaquim Vitorino

Um discurso vago e inconsequente, tem sido uma constante dos últimos governos sobre o maior flagelo no nosso país que é a pobreza.

Portugal é o maior produtor de pobres em tempo de paz; em apenas cinco anos foram atirados para a pobreza extrema um em cada 10 portugueses, enquanto 20% da população ativa abandonou a classe média baixa, para irem engrossar o rol dos pobres; a classe média alta simplesmente desapareceu do nosso vocabulário, porque já não existe.

Recentemente a Santa Casa da Misericórdia lançou no terreno um grupo de voluntários para se inteirar desta dramática situação; percorreram à noite as ruas de Lisboa e o que viram é de quebrar o menos sensível dos corações.

Famílias inteiras vindas da classe média com filhos ainda bebés, vivem enroladas em cartões a suplicar por comida nas arcadas do terreiro do paço, nas noites geladas que antecederam este Natal “pobre” de 2013 o ano que, marcou negativamente os portugueses como dos piores da nossa existência como Nação.

Os nossos governantes e também muitos de nós, vangloriam-se dos grandes exemplos de sucesso de portugueses fora das nossas fronteiras; administradores de bancos, investigadores e futebolistas, comissários das Nações Unidas e da União europeia, são posições muito pomposas para os interessados; alguns deles adquiriram licenciaturas, que foram pagas com impostos de todos nós; outros emergiram politicamente com os votos de muitos incautos, dos quais tiraram grandes benefícios pessoais abandonando depois o nosso país, porque já não precisavam dele; recentemente um governante reconheceu que somos um povo masoquista; não tenho qualquer sombra de dúvida.

A imprensa escrita e audiovisual em Portugal, perde o seu tempo em divulgar sucessos de mediocridades pessoais, que vagueiam num pequeno e incipiente mundo de ilusões, e nem um gesto para denunciar a vergonha que está a atingir centenas de milhares das nossas crianças e idosos; simplesmente remetem-se ao silêncio.

Os apelos do Papa Francisco e da Igreja, têm sido completamente ignorados. Portugal transformou-se numa irreversível fábrica de pobreza.

O Mundo tem os olhos postos no nosso país e não é por boas razões, em especial os europeus que nos vêm como os novos romenos, que invadiram as ruas das cidades nos países ricos do Norte da europa, a estender as mãos á caridade.

Alguns ex-governantes têm a cumplicidade dos meios de comunicação, que os colocam em antena aberta ou nas colunas de Jornais, para se desculparem da caótica situação em que deixaram o país.

A pobreza não chegou a Portugal por mero acaso porque tinha um destinatário, o povo português; foi enviada pelos países do norte da europa, e tem tido a cumplicidade de muitos dos nossos governantes e grandes empresários, que assim mantêm os custos de produção baratos, á custa de uma alta taxa de desemprego; dando-se ao luxo de verem Doutores em ocupações que poderiam ser assumidas por analfabetos.

Portugal está a afogar-se na dívida pública, venda do património e atraso a todos os níveis, a que se junta a perda de credibilidade que se vai refletir, nas futuras relações com outros Estados.

A emigração de elite arrasta o país para o empobrecimento; é o sucesso de que este Governo tanto se orgulha.

Estamos a ser confrontados com uma tempestade perfeita, que nos conduzirá ao naufrágio.

Numa impressionante desfaçatez, os atuais governantes culpam os anteriores dos males que nos atingem, os próximos culparão estes e assim sucessivamente.

A dívida de nada nos serviu para eliminar as bolsas de pobreza existentes em Portugal; tendo como consequência feito subir o número de milionários.

Em condições normais as dívidas seriam para pagar; mas não existe nenhuma que tenha qualquer prioridade, face à sobrevivência de um povo ou de uma Nação.

* Joaquim Vitorino   –   Colaborador dos Jornais de Oleiros e de Vila de Rei

PS: A dívida Pública portuguesa é a 2ª maior da Europa ex-aequo com a Itália; no contexto atual, Portugal nunca terá condições de a pagar.

Joaquim Vitorino

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