Afinal, a quem deve Portugal?, Por Joaquim Vitorino

Não são poucos os portugueses que se questionam qual a origem do dinheiro da enorme dívida de Portugal; muitos pensam ser da Alemanha, mas não corresponde à verdade.

O dinheiro passa em trânsito por aquele país criando um enorme “Cash Flow” na banca alemã que depois em nome dos credores autoriza a sua transferência consoante as “tranches” são aprovadas; a Alemanha pode dar assistência financeira as suas industrias a custo zero, e ainda apresentar um “SUPERÁVIT” de 100 mil milhões como no ano 2012, o que seria suficiente para acabar com a crise nos países do Sul; mas isso não lhes convém, porque acabaria para eles a “MIGRAÇÃO de ELITE” dos países do Sul, que se dirigem para aquele país cheios de conhecimentos e vontade de trabalhar, sujeitando-se a menos de metade dos salários auferidos pelos alemães. Muitos dos depositantes de milhares de milhões de euros nos bancos da Alemanha não recebem juros, pelo contrário ainda pagam pela guarda do seu dinheiro que aquele país por sua vez, aplica juros altíssimos a países em assistência como é o nosso caso, sobre o dinheiro que não lhes pertence, transformando a nossa desgraça na galinha dos ovos de ouro”; e assim a banca alemã vai-se recapitalizando a custo zero, gerindo as enxurradas incríveis de dinheiros de multimilionários vindos dos países emergentes, e dos centros de negócios como Singapura, Hong Kong e Kuala Lumpur entre outros; como é o caso dos novos detentores de grandes fortunas europeias onde se inclui Portugal, e em particular dos novos milionários Russos que retiraram as suas fortunas de Chipre recentemente; alguns deles têm menos de 30 anos e nunca levantaram uma palha do chão; e também dos Carteis da droga disfarçados de gente de negócios, que são recebidos ao mais alto nível por chefes de Estado e de Governos.

Eles estão a comprar o mundo inteiro; é que não convém manter o dinheiro onde o “arranjaram” é preciso que se lhe perca o rasto.

Mas vamos á questão que se coloca; a quem o nosso país deve mais dinheiro?

A resposta é que a grande parte da dívida portuguesa é aos próprios portugueses evidentemente. A banca portuguesa para se recapitalizar e com a cumplicidade do banco de Portugal, lançou campanhas de aliciação de juros atraindo os portugueses á entrega das suas poupanças que iam economizando com o medo de um futuro incerto, colocando todas as suas economias á guarda destes, sem saberem que o seu dinheiro se destinava á compra “forçada da dívida pública”; os bancos depois de se encherem, cortaram radicalmente os juros como o fizeram recentemente, para não entrarem no sistema da bolha, em que as novas entradas seriam para pagar juros aos primeiros depositantes; um só pequeno banco se comparado com os congéneres europeus, perdeu em 9 meses 380 milhões de euros.

Não colocando o dinheiro na economia resta-lhes comprar dívida pública com o dinheiro que os portugueses lhes confiaram. Uma grande parte do dinheiro que as três instituições representadas pela Troika emprestaram a Portugal já o levaram de volta; são os portugueses que estão a pagar a sua própria crise, e a agravá-la porque grande parte dos depósitos que confiaram aos seus bancos já lá não estão, e não foram investidos na recuperação da nossa economia que está praticamente parada; não obstante o “alarido” de sucessos que os pregoeiros do governo nos querem convencer, tentando colocar-nos ao nível da Irlanda, quando nós estamos a caminhar em passo acelerado no sentido de Chipre. Só um pequeno exemplo; na zona Sul do Parque das Nações em escassos 6 meses, das 5 agências bancárias existentes fecharam 3.

Euros

O sucesso da colocação de 6.500 milhões de euros no mercado com o prolongamento de mais 3 anos é certamente deles, mas não dos portugueses ou deste país, que vêm assim agravada a dívida e consequentemente a nossa subserviência, hipotecando o nosso futuro coletivo em nome da sobrevivência de um Governo que desorientado não consegue colocar um travão à dívida, a que se junta a venda do nosso património a preços da chuva, como se viu recentemente com os estaleiros de Viana do Castelo; mesmo assim Portugal continua a crivar-se de dívidas, estando já próximo de ter que assumir o seu incumprimento.

A dívida à troika nunca ultrapassou os 25%; são os mais conhecidos porque querem saber para que serve, e onde está o seu dinheiro; quanto aos portugueses, deveriam ser consultados através de associações de depositantes, para garantir que o seu dinheiro está seguro e que não vai parar á dívida pública, para dar continuidade a este governo e contribuir no afundamento do nosso país em dívidas e venda do património.

Com as políticas europeias altamente penalizadoras para os países do Sul, Portugal vai continuar a ser um país de emigrantes; levando com eles o conhecimento que seria útil para nos retirar da dependência dos países do Norte; é uma nova e vergonhosa tipologia de escravatura; que tem a cumplicidade de quem nos governa há mais de 30 anos, e que os portugueses vão “docilmente” aceitando.  

* J. Vitorino   –   Vermelha / Colaborador dos Jornais de OLEIROS e de VILA de REI.

PS: Portugal endivida-se e simultaneamente procede á venda do seu património; é uma dupla dilapidação, que as gerações futuras vão julgar impiedosamente.

rica e pedinte

 

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