“O Farol”: Agendas, por António Graça

Agendas

Por esta altura do ano, é tempo de adquirir uma agenda para 2014. A agenda é um utensílio de planeamento e gestão, utilizado há décadas por quem tem a preocupação de organizar e gerir o seu tempo e os seus contactos e de planear o estudo e a concretização de projectos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Na área política, o termo agenda tem vindo a ser muito utilizado; ele é a agenda para o crescimento, a agenda para o emprego, a agenda para o empreendedorismo, agenda para tudo e agenda para nada.

Meditando um pouco sobre este tipo de agendas, sou levado a crer que elas, as da área política, são diferentes das utilizadas pelo comum dos cidadãos. É que, enquanto as nossas agendas têm nas suas páginas meses, dias e até horas, nas quais prevemos e registamos os acontecimentos que consideramos importantes, as da área política, uma vez que, por norma, não apresentam resultados, devem ter apenas páginas em branco, nas quais são escritas apenas as boas intenções para as quais foram criadas, sem que haja um compromisso para a sua realização.

A mais recente agenda a juntar à vasta colecção de agendas políticas, é a denominada “Agenda para Portugal”

Embora ainda sem a desejável clarificação, e envolta em declarações desgarradas dos seus impulsionadores, parece ser um movimento lançado em torno da figura de Rui Rio, que pretende crescer aproveitando a credibilidade, e, de certa forma, o carisma que nos tempos recentes tem vindo a orientar a actuação pública do ex-autarca do Porto.

Na altura em que escrevo, não se percebe ainda de forma clara qual a estratégia e objectivos finais visados por esta plataforma, apenas existindo algumas hipóteses avançadas pela comunicação social, as quais têm, como é hábito, algum grau de especulação.

Ainda assim, as hipóteses adiantadas apontam para a perspectiva da chegada de Rui Rio a níveis de poder como 1º ministro, ou mesmo Presidente da República.

Não sendo pública, como dissemos atrás, uma estratégia para alcançar qualquer daqueles objectivos, parece fundamental que seja o interessado (se é que o está) a vir a público desvendar os seus projectos políticos futuros, dispensando qualquer tipo de orientação de grupos que já se estão a organizar e que depois, em caso de sucesso, apressar-se-ão a colher os dividendos da sua actuação.

Em meu entender e, admitindo que o Dr. Rui Rio possa vir a ter algum interesse em assumir um papel de maior importância na vida pública, parece-me que existem pontos essenciais a cuidar nesse eventual trajecto político:

1- É fundamental que os apoios ao Dr. Rui Rio, transmitam uma imagem de que se está perante uma forma completamente diferente de estar na política, o que dispensa, à partida, a intervenção, ou melhor, o protagonismo de “carreiristas da política”, que se passeiam há décadas nos meandros dos partidos, à sombra dos quais se alimentam, tendo sempre certos cargos na Administração Pública, sem que do seu desempenho lhes possa ser reconhecida a contribuição de qualquer valor acrescentado para o país

2- Por esse motivo, e não só, um eventual movimento deverá crescer fora do actual leque de partidos.

Na realidade, para além de ter de ser diferente, ele nunca vingará como sendo uma espécie de regeneração interna de um partido, ao qual acabaria por ficar conotado, excluindo, por isso, o crescimento no interior de partidos como o PSD ou o PS, nos quais as ascensões e eventuais transformações internas são controladas exclusivamente pelos chamados “aparelhos partidários”, que são correias de transmissão de interesses de vária ordem que apenas permitem a subida ao poder de quem se lhes submeter antecipadamente, o que não se ajusta à postura pública do Dr. Rui Rio.

3- Um movimento, inicialmente independente dos partidos, facto que não invalida uma conversão em partido, dependendo do que as circunstâncias futuras possam vir a aconselhar deverá acolher no seu seio figuras públicas cuja conduta se tenha materializado por uma posição crítica relativamente ao sistema actual, como sejam os casos de entre muitos nomes, por exemplo, do Sr. Dr. António D’Orey Capucho ou do Professor Paulo Morais, começando por se afirmar como uma força de opinião pública a considerar nos assuntos importantes para os portugueses, assumindo posições realistas, e, sempre que possível, apresentando alternativas concretas às posições que venham a criticar.

4- Será importante que os cidadãos percebam que o Dr. Rui Rio não é um D. Sebastião ou o Super Homem, e que, caso ele venha a ocupar lugar de destaque na condução dos destinos do País, Portugal não se transformará num oásis de um dia para o outro, o que poderá é vir a ter um estilo de resolução dos muitos problemas que nos afectam que se caracterize por princípios de seriedade e competência.

Entretanto, em declarações recentes, o Dr. Rui Rio afirmou que pensa definir até ao final do ano a sua vida pessoal e que não está virado para qualquer tipo de protagonismo político, a não ser em circunstâncias especiais. e que “ a vontade dos outros” poderá vir a alterar os seus planos actuais.

Seja como for, o Dr. Rui Rio saberá, melhor que ninguém, da oportunidade da sua eventual intervenção política futura, pelo que, tudo o que nesse capítulo vier a ser propagado, não deve ser considerado mais do que mera especulação, e apenas nos será legítimo cultivar alguma expectativa .

Até breve

* António Graça, Colaborador do Jornal de Oleiros, Coordena a Página de Economia, é Engenheiro.

António Graça

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a “O Farol”: Agendas, por António Graça

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Uma excelente interpretação das “Agendas” porque não passam disso, que o Engenheiro António Graça nos trás; e que não nos levam a lado nenhum, porque não dizem nada. Quanto a Rui Rio, tem toda a razão o nosso Ilustre Cronista; ele tem que separar as águas e já; porque quanto mais tarde se afastar dos “paraquedistas” que se colaram a ele recentemente, com mais desconfiança será vista uma solução para o país, com Rui Rio como credível alternativa.

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