Os burros portugueses e os americanos, por Joaquim Vitorino

BURROS PORTUGUESES E OS AMERICANOS.

O New York Times presenteou todos portugueses, assemelhando-nos a “burros” da raça mirandesa” não podia estar mais de acordo com a notícia que aquele Jornal destacou na primeira página, mas considero-a uma grave ofensa aos burros portugueses.

Foi muito deselegante e grosseiro o tratamento com que Portugal é “mimado” pelo New York Times; pessoalmente não me sinto ofendido, porque nós somos mesmo burros por várias razões, sendo que uma delas é o nosso país não seguir o exemplo da Grécia, a quem os americanos tiveram que perdoar metade da dívida, e a outra parte não terão possibilidades de a receber; por isso somos burros em não seguir o exemplo dos nossos amigos gregos.

Também é verdade que somos os mais burros da Europa, como se sabe somos os menos letrados e não só; mais de metade dos nossos governantes são Doutores ou Engenheiros que nunca geriram um quiosque sequer e, outros tiraram à pressa licenciaturas para não perderam o “comboio político” porque de outra coisa não sabem viver. Por outro lado os portugueses são burros porque cederam as bases dos Açores por tuta e meia, enquanto no resto da Europa em que incluo a Turquia, os americanos pagam uma grande parte do seu PIB, para além de terem que manter investimentos nesses países.

O New York Times compara-nos ao Burro Mirandês, porque vivemos como estes de subsídios, eles são uma espécie em vias de extinção e tenho por estes animais uma grande estima; e não são assim tão burros como os seus “colegas humanos são considerados pelo jornal americano”.

Ainda não passou muito tempo em que 45 milhões de americanos, tiveram que ir viver para debaixo das pontes e de subsídios do Estado americano, depois da falência fraudulenta de um banco americano que arrastou a Europa e consequentemente Portugal para uma situação crítica, por conseguinte a terminologia “BURROS” que o New York Times nos apelida, os portugueses devolvem-na para o outro lado do Atlântico.

Vou por deferência, especificar as causas da pobreza e atraso em Portugal que tanto incomoda aquele Jornal, mas que são muito semelhantes às daquele país é só esperar para ver.

Disfarçados de socialistas e democratas os últimos governos de Portugal entregaram a uma única geração a deles, tudo o que às seguintes pertencia.

Portugal vergou-se perante o “cativeiro da dívida”; deveria ser um país limpo e despoluído de corrupção e incompetência, que aliada a alguma ingenuidade, esteve muitas vezes na origem de más práticas governativas que hipotecaram o futuro de todos os portugueses, provavelmente por várias centenas de anos.

Não obstante o declínio do nosso país ter tido início há quase 40 anos, a grande queda de Portugal começou há pouco mais de 15 anos.

A incrível desfaçatez com alguns acusam os outros dos seus próprios pecados como se viu recentemente, descredibiliza o exercício da política em Portugal que adquire perante o olhar do exterior o estatuto de uma república das bananas.

O incentivo à violência feito a partir da aula magna já está a causar estragos com a invasão de ministérios que à partida implica a contratação de mais polícias, com mais despesas para o Estado português que está na falência.

No meio de toda esta desgraça ainda aparecem aqueles para quem o pior representa o tanto melhor, sendo falso o patriotismo que apregoam.

Portugal está a desmoronar-se de dia para dia; e a complacência de todos nós os burros, passou ao nível de cumplicidade. A situação em que Portugal se encontra, e a facilidade com que recorre ao endividamento, passou a ser uma chacota anedótica em todo o Mundo; sendo muito confrangedor o estatuto de pelintras, com que alguns Estados ditos amigos nos estão a classificar não obstante virem a Portugal buscar juros altíssimos; talvez a situação e conceito mude a nosso favor, se fizermos como os gregos que mandaram a dívida à fava. Então passamos a ser mais espertos e respeitados que os nossos simpáticos burrinhos mirandeses.

* J. Vitorino – Coordenador de Cultura e Ciência, do Jornal de Oleiros e Jornal de Vila de Rei 

Burros mirandeses

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Oleiros. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *