De cabeça perdida, por Joaquim Vitorino

  • De Cabeça Perdida

Os portugueses não são apenas um povo atrasado a todos os níveis; para além da pobreza e da desigualdade entre os cidadãos, não podemos ignorar um fenómeno preocupante que também nos está a atingir, e que nunca foi uma caraterística do nosso povo que é a falta de educação; é que Portugal anda de cabeça perdida e não deixa transparecer a serenidade necessária para que os agentes económicos não percam a confiança no nosso país, e nas suas instituições.

Recentemente foi dado um passo atrás com declarações polémicas de alguém com muitas responsabilidades no estado de pobreza a que chegámos, atirando despudoradamente as culpas para os atuais governantes que as têm evidentemente; porque não conseguiram remediar e até agravaram o mal que aqueles que os criticam provocaram ao país.

O apelo á violência feita por um ex-primeiro ministro e também ex-Presidente da República, é um absurdo que revela ódio por aqueles que ocupam democraticamente um cargo que já foi seu; levando alguns dos seus seguidores a utilizaram termos que nos retira o estatuto de um país civilizado e democrático porque se o fossemos, aquelas declarações de apelo á violência nunca teriam  lugar num país civilizado e democrático.

Palavras como “corridos à paulada ou ainda pior” foram proferidas, referindo-se possivelmente à utilização de meios mais violentos” contra os que foram democraticamente eleitos, configurando-se de extrema gravidade o que foi dito, porque o apelo à rebelião não dá a ninguém legitimidade moral para o fazer.

Os portugueses não podem estar eternamente vergados em agradecimentos, perante aqueles que se dizem donos da democracia em Portugal porque eles já tiraram grandes dividendos dela e enquanto o povo português foi simplesmente atirado para o fundo da Europa, eles subiram as suas fortunas pessoais e dos seus amigos.

Tenho a certeza que nenhum dos presentes naquele manifesto conspirativo, se deitou nesse dia com o estômago vazio; ao contrário de centenas de milhares de crianças e idosos vítimas das práticas governativas daqueles que se preocupam apenas em não perder os privilégios, com que ao longo de quase 40 anos “esta democracia deles” contemplou.

Portugal não é só o país mais pobre de toda a europa, é também o mais desigual; acentuando-se assustadoramente de dia para dia esta vergonhosa assimetria; num recente artigo “No fundo da Europa” coloquei com frieza aos nossos leitores toda esta repugnante verdade.

Os portugueses sentem-se confusos e perplexos com este triste episódio, em especial todos os que tinham como referência democrática, alguns dos protagonistas deste lamentável capitulo da nossa vida coletiva.

A história julgará implacavelmente todos aqueles que ao longo dos anos, se aproveitaram da ingenuidade de um povo que teve a infelicidade de nascer num país, em que a esperteza sem escrúpulos de uns quantos prevalece, face á inteligência e honestidade da maioria.

Os portugueses têm sido afogados na pobreza por aqueles a quem confiaram altos cargos públicos durante dezenas de anos, e que ainda se dizem ser seus defensores; só assim se justifica estarmos na cauda da Europa.

Aquele comportamento e suas possíveis consequências confirmam, que o estado de quase calamidade em que o nosso país se encontra pouco lhes importa, e que o povo português pouco ou nada lhes diz. Aquele cenário onde a grande maioria dos portugueses não se revê, deixa-nos numa profunda reflexão sobre a frágil democracia que temos, e os que se têm servido dela.

O Presidente da República  e  Primeiro Ministro demonstraram grande serenidade a lidar com esta situação desvalorizando-a; em democracia os governos são contestados nas urnas através do voto, e não nas aulas magnas a incendiar e confundir os portugueses, que já andam bastante confusos.

* J. Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

 

Joaquim Vitorino

            

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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