Portugal no fio da navalha, por Joaquim Vitorino

A economia portuguesa continua no fio da navalha sobe e desce mas não dispara, e o comportamento das exportações é idêntico; é evidente que esta timidez resulta de uma falta de confiança nos agentes económicos, o governo aponta 2014 como decisivo para a nossa recuperação mas o cenário apresenta-se muito difícil com a sombra de um novo resgate, disfarçado de programa cautelar.

Estruturalmente o país não foi tocado porque não houve coragem para o fazer, continuando a soberania de Portugal nas mãos dos credores, não podendo o país voltar aos mercados sujeito a um programa cautelar. Portugal não seguiu o exemplo da Irlanda que saiu da tutela da troika, porque fez o trabalho de casa com coragem e sem penalizar severamente os irlandeses.

O Governo anda desorientado e ninguém fala à mesma voz, vangloriando-se de umas pequenas vitórias, omitindo as grandes derrotas; a frágil subida da economia deve-se ao turismo que como se sabe é sazonal. Portugal não define uma linha de medidas políticas para projetar o nosso futuro, navegando com terra à vista o que implica mais austeridade; é uma decisão que ninguém arrisca porque tem enormes custos políticos por isso todos fogem delas, e o país continua a afundar-se e os portugueses a caminharem para os centros de caridade.

Um extraordinário exemplo veio da Alemanha, em que o ex-Presidente Christian wulff de 54 anos e membro do partido de Ana Merkel CDU, preferiu ir a tribunal defender a honra de um lóbi prestado a um amigo de uns míseros 700 euros de que era acusado, do que “abafar” a acusação com uma multa de 22.000. Portugal não consegue sair da crise com os governantes que temos, e os portugueses se quiserem um futuro decente para si e seus familiares terão que o procurar fora do seu país; a pobreza aumenta de dia para dia, e sem dinheiro nas mãos das populações não existe consumo interno e a economia não cresce, até um analfabeto compreende isso.

A Irlanda inicialmente fez com coragem um corte transversal de 20% em todos os salários, em Portugal começaram por proteger grupos e a cortar seletivamente, e cada partido tenta proteger o seu eleitorado, e continuam a privilegiar quem tem poder e força como se viu recentemente com estes a ficarem de fora, uma vergonha que só numa pseudodemocracia teria lugar.

O mais inconcebível é membros do governo e responsáveis de um partido da coligação, afirmarem publicamente que são contra uma política de cortes salariais, que depois os acabam por aprovar. A ignorância de muitos portugueses tem sido a sorte dos políticos que temos; tanto agora como no passado existem quem nos queira manter ignorantes; para eles um voto não conta mais, nem menos que o outro. Nenhum país europeu “entope” como o nosso, os tribunais com casos de corrupção onde vergonhosamente na prisão, se ganham cargos públicos como acontece em Portugal; durante a recuperação da Irlanda estes casos contaram-se pelos dedos de uma mão sobrando os cinco.

Os Irlandeses que conheço muito bem, porque trabalhei com eles no Reino Unido, são o povo mais patriota de toda a Europa constituindo para eles uma ofensa, que Portugal os tenha tomado como nivelamento ou referência quanto ao cumprimento do programa a que estiveram sujeitos; é que o seu patriotismo em nada se assemelha ao nosso.

Com os agentes económicos que temos e o povo que somos, nunca vamos ver a luz ao fundo do túnel que cada vez se apresenta mais ténue e distante; a perseguição doentia na caça ao fisco, leva empresas a desmotivarem-se e encerrarem as portas, o que incentiva a economia paralela que cresce a olhos vistos; na situação em os portugueses se encontram, uns quantos euros fazem a diferença para que muita gente sobreviva. As causas estão identificadas; quando recentemente em Paris, dois dos também culpados pelo estado a que chegamos gritaram às armas, não deixaram dúvidas de que vão precisar delas; para os defender quando este sacrificado povo abrir bem os olhos.

*J. Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

Joaquim Vitorino

 

 

Nota: Com uma dedicação especial a estas duas Vilas ( Oleiros e Vila de Rei), e a toda a região do PINHAL que visitei recentemente, e que me impressionou pela positiva.

 

 

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